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Política

Baleia lança candidatura e faz aceno à esquerda: ‘Ou aumenta o Bolsa Família ou volta o auxílio emergencial’

Candidato escolhido por Rodrigo Maia para sucedê-lo também fez críticas a Arthur Lira, adversário e nome apoiado pelo governo Bolsonaro: 'Câmara não pode ser submissa'

André Siqueira

Presidente nacional e líder do MDB na Câmara dos Deputados, Baleia Rossi lançou oficialmente sua candidatura à presidência da Casa na tarde desta quarta-feira, 6, ao lado do atual mandatário, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e de lideranças de partidos que aderiram à sua campanha. Em um pronunciamento de aproximadamente 15 minutos, prometeu trabalhar pela independência do Parlamento e fez um aceno às siglas de esquerda ao dizer que, com o agravamento da pandemia do novo coronavírus, é dever do Legislativo buscar uma alternativa ao fim do pagamento do auxílio emergencial. “É importante voltarmos a olhar a nossa pauta com responsabilidade fiscal, votando reformas importantes e também, por que não, voltar a debater o auxílio emergencial. A pandemia não acabou. No ano passado, parecia que viraríamos o ano e a pandemia acabaria, mas essa não é a realidade. Temos milhões de brasileiros que deixarão de ter o básico, o alimento em suas mesas. Temos que buscar uma solução: aumentar o Bolsa Família ou buscar novamente o auxílio para os mais vulneráveis”, disse, sob aplausos dos presentes.

Baleia Rossi também fez uma crítica indireta à candidatura de Arthur Lira (PP-AL), líder do PP, expoente do Centrão, e candidato apoiado pelo presidente Jair Bolsonaro. Para o presidente do MDB, a Câmara dos Deputados não pode ser “submissa” ao Palácio do Planalto. “Temos o dever de fiscalizar, de acompanhar, as ações do Executivo. Exatamente por isso, a Câmara não pode ser submissa. Porque se for submissa, ela não fiscaliza, não acompanha, não participa das questões que são importantes para o debate do nosso país”, disse. Opositores de Lira afirmam que uma eventual vitória do aliado de Bolsonaro poderá transformar a Casa um “puxadinho do Planalto”. Já os aliados do deputado do Centrão afirmam que Lira jamais será subserviente.

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Em seu discurso, Baleia Rossi também reiterou seu compromisso com um programa universal e gratuito de vacinação. Segundo o emedebista, em um acordo firmado com Rodrigo Maia, há a possibilidade de Câmara e Senado votarem, ainda no mês de janeiro, uma medida relacionada à imunização dos brasileiros. A defesa de campanhas de vacinação, inclusive, é um dos pontos que compõem a lista de compromissos celebrados entre Rossi e líderes dos partidos de esquerda.

A eleição para a presidência da Câmara ocorrerá no dia 1º de fevereiro. Para vencer em primeiro turno, o postulante precisa de, no mínimo, 257 votos. O bloco costurado pelo atual presidente da Câmara, Rodrigo Maia, reúne 11 partidos (PT, DEM, PDT, PSB, MDB, Cidadania, Rede, PV, PcdoB, PSDB e PSL) que, somados, possuem 281 parlamentares. Arthur Lira, por sua vez, conta com o apoio de 10 legendas (Progressistas, PL, Avante, Republicanos, Solidariedade, PSD, PTB, PROS, PSC e Patriota), que contam com 204 deputados ao todo.