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Política

‘Bolsonaro estava bastante incomodado e acordou abatido’, diz médico sobre nova cirurgia

Ex-presidente passou por bloqueio do nervo frênico após crise prolongada de soluço durante internação em Brasília

Felipe Cerqueira

Fachada do hospital DF Star, onde Jair Bolsonaro está internado
Brasília (DF), 17/09/2025 - Fachada do hospital DF Star, onde Jair Bolsonaro está internado. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil Marcelo Camargo/Agência Brasil

A equipe médica que acompanha o ex-presidente Jair Bolsonaro informou neste sábado (27) que o procedimento realizado para tentar controlar suas crises recorrentes de soluços não garante a resolução definitiva do quadro. Segundo os médicos, o bloqueio anestésico do nervo frênico direito foi indicado após uma crise intensa e prolongada, que causou desgaste físico e dificuldade para dormir.

Bolsonaro está internado no Hospital DF Star, em Brasília, desde o dia 24 de dezembro, onde se recupera de uma cirurgia de hérnia inguinal bilateral. De acordo com o boletim médico, na sexta-feira (26) o ex-presidente apresentou uma nova crise de soluços e, em razão disso, foi submetido neste sábado ao bloqueio do nervo frênico direito, sob sedação, sem intercorrências.

Em entrevista coletiva, o cirurgião Cláudio Birolini explicou que a equipe inicialmente tentou controlar o problema apenas com medicamentos, que chegaram a ter as doses dobradas. Como a resposta clínica não foi satisfatória, optou-se pelo procedimento. “Ele teve uma crise prolongada, ficou bastante incomodado e acordou abatido”, afirmou o cardiologista Brasil Caiado.

O bloqueio do nervo frênico reduz temporariamente a atividade do nervo responsável pelo controle do diafragma, principal músculo da respiração, e pode ajudar a interromper soluços persistentes. Segundo os médicos, o efeito pode durar semanas ou até alguns meses, mas não há garantia de eficácia permanente. Caso o procedimento funcione, está prevista a realização do bloqueio do nervo frênico esquerdo em até 48 horas, já que os dois lados não podem ser bloqueados simultaneamente por risco respiratório.

O radiologista intervencionista Mateus Saldanha informou que a intervenção durou cerca de uma hora e foi considerada tecnicamente bem-sucedida. Ainda assim, a equipe médica não descarta outras alternativas, caso o quadro persista, embora opções mais invasivas estejam fora do planejamento atual.

“Estamos discutindo a possibilidade de botox no nervo eventualmente, crioablação [procedimento médico minimamente invasivo que utiliza o frio extremo para destruir tecidos anormais ou doentes], mas essas alternativas são ‘off label’. Vamos fazendo o menos invasivo e reavaliando periodicamente. Se chegar num ponto que não resolve, vamos rediscutir e ver o melhor caminho possível. Agora, o procedimento proposto é esse e, nessa internação, a gente não pretende ir além do que está sendo feito”, explicou Birolini.

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Segundo o boletim médico, Bolsonaro encontra-se consciente, orientado, já retornou ao quarto e está liberado para se alimentar. Ele seguirá em fisioterapia motora, com medidas de prevenção de trombose e cuidados clínicos gerais. A previsão de internação permanece entre cinco e sete dias, com possibilidade de alta após nova avaliação médica, caso a evolução clínica seja favorável.

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