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Política

Governadores desconfiam da autonomia do novo ministro da Saúde

Na manhã desta terça, Marcelo Queiroga afirmou que titular da pasta executa a política elaborada pelo Palácio do Planalto; 'É uma mudança na visão do governo federal?', questiona governador do Piauí

André Siqueira

Em meio ao pior momento da pandemia do novo coronavírus no Brasil, com aumento no número de mortes e colapso da rede hospitalar em diversos Estados do país, o presidente Jair Bolsonaro anunciou, na noite da segunda-feira, 15, o médico cardiologista Marcelo Queiroga como novo ministro da Saúde, o quarto desde o início de sua gestão e a terceira troca desde o início da crise sanitária. Antes dele, comandaram o ministério Luiz Henrique Mandetta, Nelson Teich e Eduardo Pazuello. Entre os governadores, apurou a Jovem Pan, a mudança é vista com bons olhos, mas prevalece o sentimento de desconfiança em relação à autonomia que o novo chefe da pasta terá para elaborar medidas eficazes e urgentes no combate à Covid-19.

Antes de assumir a Saúde, Marcelo Queiroga defendia o isolamento social como forma de conter a proliferação do vírus e era contra o chamado tratamento precoce, que consiste no uso de medicamentos que não possuem comprovação científica contra o novo coronavírus. Na manhã desta terça-feira, 16, porém, ao chegar ao prédio do ministério, o cardiologista afirmou que o plano de ação contra a pandemia é elaborado pelo Palácio do Planalto. “O governo está trabalhando. As políticas públicas estão sendo colocadas em prática. O ministro Pazuello anunciou todo o cronograma da vacinação. A política é do governo Bolsonaro. A política não é do ministro da Saúde. O ministro da Saúde executa a política do governo. O ministro Pazuello tem trabalhado arduamente para melhorar as condições sanitárias do Brasil e eu fui convocado pelo presidente Bolsonaro para dar continuidade a esse trabalho”, disse.

A desconfiança dos gestores locais pode ser resumida pela avaliação do governador do Piauí, Wellington Dias (PT), coordenador do Fórum dos Governadores para a temática da vacinação. “A pergunta que faço é a seguinte: é uma mudança de ministro e também uma mudança de visão do governo federal?”, questiona o petista. Os governadores pedem uma coordenação nacional para o enfrentamento da pandemia e foco na ampliação da vacinação – como a Jovem Pan mostrou, um dos motivos que contribuíram para o desgaste de Pazuello foi o descumprimento de diversas promessas relacionadas ao cronograma de imunização.

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