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Política

Moraes cobra explicações sobre visitas não autorizadas a Braga Netto

Segundo o despacho, foram quatro encontros fora dos dias previstos no regulamento, incluindo uma 'assistência religiosa'

Fernando Keller

General Braga Netto
PF prende Braga Netto em investigação por tentativa de golpe de Estado DIDA SAMPAIO/ESTADÃO CONTEÚDO

Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), pediu explicações à 1ª Divisão do Exército do Comando Militar Leste, onde Walter Braga Netto está preso no Rio de Janeiro, em relação a visitas feitas em dias não previstos no regimento da detenção, em despacho publicado na quarta-feira (25).

Segundo Moraes, o relatório enviado pelo Comando em 20 de março, com as atividades do general na prisão, indicou quatro visitas fora dos dias previstos no regulamento, que seriam terças-feiras, quintas-feiras e domingos, no horário de 14h às 16h, no limite de 3 (três) pessoas.

“Segunda-feira, dia 9/3 (visitante não autorizado); (ii) sexta-feira, dia 13/3 (familiares); e (iii) sábado, dia 14/3 (familiares). Além disso, o relatório indica assistência religiosa na quarta-feira, dia 11/3, sem autorização judicial prévia“, diz o documento assinado por Moraes.

Em fevereiro deste ano, a defesa de Braga Netto requereu a instalação de TV a cabo em sua cela para assistir a canais e notícias.

“É direito do General Braga Netto se manter vinculado à realidade social e não há qualquer óbice na legislação a que isso se dê por meio do acompanhamento dos canais de notícias. Tal possibilidade ganha ainda mais relevância diante do fato de que o Peticionário é único custodiado da unidade militar, o que o impõe uma rotina sem o estabelecimento de relações interpessoais e, portanto, sem qualquer integração social“, diz a defesa de Braga Netto.

Por isso, “requer-se autorização para acesso à televisão a cabo, cujos custos de contratação, instalação (considerando a infraestrutura disponível na unidade militar) e manutenção serão totalmente suportados pelo próprio General Braga Netto”.

Graduação

Quanto à graduação, a defesa aponta uma lista de cursos ofertados pela Faculdade Estácio, mas sem identificar qual deles o ex-ministro teria escolhido. A lista inclui graduações de 2 a 4 anos, nas mais diversas áreas de graduação.

Walter Braga Netto foi condenado a 26 anos de prisão em regime fechado, pelos crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado pela violência e grave ameaça e deterioração de patrimônio tombado.

Ele já estava preso desde dezembro de 2024, acusado de obstruir a investigação sobre a tentativa de golpe para impedir a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

*Com informações do Estadão Conteúdo