Galípolo defende Pix após tarifas dos EUA, e Durigan pede proteção sem ‘viralatice’
Um grupo de ministros do governo Lula se reuniu nesta quinta-feira (16) para falar sobre o novo tarifaço imposto pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros. O presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, foi um dos presenter no encontro e criticou os argumentos norte-americanos sobre o Pix. Segundo ele, as declarações são uma tentativa de inventar alguma lógica.
“Argumentação não passa de uma tentativa de inventar alguma lógica. Do lado do Banco Central vamos fornecer o Pix como algo seguro, gratuito e instantâneo para que cada vez mais a população brasileira possa ter acesso a serviços financeiros de maneira mais transação segura, rápida e inclusão financeira”, disse Galípolo.
Para o presidente do BC esse é o maior flagrante de que os argumentos são desculpas para criar lógica para aplicar uma tarifa.
O presidente do BC ressaltou que o sistema de pagamento é uma referência internacional, destacando que ele é benéfico para a quem demanda e oferta tem elogios do FMI e do BIS. “Países como Estados Unidos, Europa, China, Índia, Sigapura e uma série de outros bancos centrais já implementou ou está estudando implementar sistemas de pagamento instantâneo como o Pix” que claramente é “, disse Galípolo.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, também esteve presente do encontro e enfatizou a força do governo Lula para proteger o sistema de pagamento que ele classificou como o maior símbolo da soberania financeira do Brasil.
“Seguiremos sem baixar a cabeça e dobrar a interesses extrangeiros. Vamos seguir projegente o Pix, o maior símbolo da nossa soberania financeira. Nos seguiremos protegendo nossa soberania geolígica sem viralatice e nossa democratica contra interferência internacional indevida”, disse Durigan.
Apesar das fortes declarações, o ministro da Fazenda disse que a proteção ao Brasil não impede que o País não esteja aberto a negociações e diálogo. “Seguiremos aberto a diplomacia e negociação, seja com os Estados Unidos ou outro país que nos trate com respeito”, disse o ministro.
Tarifa de 25%
Na madrugada desta quinta, os Estados Unidos anunciaram a tarifa adicional de 25% a diversos produtos brasileiros. Entretanto, foram excluídos da lista o etanol, a carne bovina e o café.
A aplicação de sobretaxa foi tomada sob a autoridade da Seção 301. Em conversa por telefone com jornalistas, o chefe do USTR, Jamierson Greer, disse que a investigação concluiu que o Brasil adotou uma série de medidas consideradas injustas aos interesses norte-americanos.
Entre os principais problemas indicados pelos Estados Unidos estão:
- Ordens judiciais sigilosas que obrigaram empresas de tecnologia norte-americanas a remover conteúdos políticos, inclusive de um presidente;
- Multas diárias elevadas e ameaças de interrupção total das operações das plataformas no Brasil;
- Favorecimento ao sistema Pix, tratado como “campeão nacional” do Banco Central, gerando desvantagem competitiva para empresas norte-americanas de pagamentos;
- Concessão de tarifas preferenciais para Índia e México, sem reciprocidade aos produtos norte-americanos;
- Falhas no combate à corrupção;
- Impactos do desmatamento ilegal que prejudicam produtores agrícolas dos Estados Unidos.