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Política

STM rejeita pedido de Bolsonaro para tirar ministro de ação sobre perda de patente

Ex-presidente alegava que Francisco Joseli Parente Camelo não seria imparcial por causa de declarações feitas em 2023; Corte militar rejeitou nesta quarta-feira (24) a solicitação

Estadão Conteúdo

Ex-presidente Jair Bolsonaro
Ex-presidente Jair Bolsonaro EVARISTO SA / AFP

O Supremo Tribunal Militar (STM) rejeitou, nesta quarta-feira (24), por unanimidade, o pedido da defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro para declarar o ministro Francisco Joseli Parente Camelo suspeito de participar do julgamento da ação de perda de seus posto e patente de capitão do Exército.

O caso foi levado ao plenário da Corte militar após a presidente do STM, ministra Maria Elizabeth Rocha, rejeitar monocraticamente um pedido da defesa de Bolsonaro para declarar a suspeição de Parente.

O ex-presidente alega que o ministro não seria imparcial em seu julgamento por causa de uma série de declarações feitas em 2023 em que mencionava a possibilidade de condenação de militares envolvidos nos atos golpistas de 2023 e outros crimes conexas.

“Nós julgaremos com toda a Justiça, com todo o pleno direito à defesa e ao contraditório, e se tiver realmente cometido crimes, se chegar a nós, será punido”, disse Parente em entrevista ao UOL naquele ano.

A presidente do STM negou o pedido da defesa de Bolsonaro sob o argumento de que as declarações do ministro tinham “amparo em uma base lógico-jurídica elementar: a condenação é consequência da apuração de responsabilidade penal sob o crivo do contraditório”.

Ministro do STM Francisco Joseli Parente Camelo
Ministro do STM Francisco Joseli Parente Camelo

Julgamento de Almir Garnier

A Corte também julgou nesta quarta um recurso do ex-comandante da Marinha, almirante Almir Garnier, que também foi condenado por participação na tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022.

A defesa do almirante questiona uma decisão da ministra Verônica Abdalla Sterman, relatora do processo, que considerou prejudicado o pedido de produção de provas e diligências documentais em processo que também trata da permanência no oficialato.

No julgamento de terça-feira (23), a ministra alterou parcialmente a sua decisão. Ela autorizou que a defesa de Garnier apresente no prazo de 10 dias as manifestações por escrito de testemunhas abonatórias. Outra flexibilização foi para que a Marinha envie os registros funcionais, as avaliações de desempenho e os elogios pessoais a Garnier para que sejam juntados ao processo.

Quanto ao compartilhamento de provas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), a ministra afirmou que caberá ao relator da ação penal do golpe, ministro Alexandre de Moraes, decidir se acata o pedido de Garnier. O posicionamento da ministra prevaleceu com o apoio de 10 dos 15 ministros. A presidente do STM não votou neste processo.