Paulo Figueiredo Filho: ‘Em universidade federal, qualquer coisa é desculpa para não dar aula’

Revogação da portaria do Ministério da Educação que determina volta às aulas em universidades públicas no mês de janeiro foi debatida no programa 3 em 1

  • Por Jovem Pan
  • 02/12/2020 18h36 - Atualizado em 02/12/2020 20h45
Secom/UnB/19.03.2018Campus da UnB no Gama, em Brasília

O ministro Milton Ribeiro afirmou em entrevista ao canal CNN Brasil nesta quarta-feira, 2, que a portaria do Ministério da Educação que determinava a volta às aulas presenciais em universidades públicas no mês de janeiro de 2021 será revogada após reação negativa das instituições de ensino. Segundo ele, o ministério deverá liberar o retorno presencial apenas quando as instituições “estiverem confiantes de que as aulas podem ocorrer em segurança”. O recuo na decisão poucas horas após divulgação da mesma e a reação das universidades públicas à portaria foram temas de conversa entre os comentaristas do programa 3 em 1, da Jovem Pan, nesta quarta-feira, 2. Para Paulo Figueiredo Filho, a reação das instituições de ensino à portaria é sinal de que “em universidade federal qualquer coisa é desculpa para não dar aula”, algo que prejudicaria os estudantes de menor poder aquisitivo que não podem pagar universidades particulares. Ele disse, ainda, que os professores devem ter o direito de escolher se querem ficar em casa, mas não devem receber salário se decidirem não trabalhar.

“Desculpa, não quero pagar seu salário. Entendo que você não queira correr o risco, mas a grana está curta para todo mundo”, afirmou o comentarista. Usando dados dos Estados Unidos, que segundo ele são mais precisos do que os dos Brasil por serem fruto de alta testagem, Figueiredo Filho relativizou as mortes de pessoas em idade universitária em relação às mortes gerais afirmando que universitários representam “0,0022% do total de mortes no país norte-americano. “Você corre mais risco de morrer indo de carro para a universidade, ou de ônibus, ou na comunidade onde você mora. Você corre mais risco no caminho da faculdade do que de contrair Covid e falecer”, disse.

Josias de Souza lembrou que a decisão do MEC não considerava a possível contaminação de pessoas mais velhas que convivem com esses universitários. Para ele, a portaria se revelou uma “inutilidade intrigante e desmoralizante” ao falar em volta às aulas em um momento de crescimento de casos de coronavírus no país. Segundo ele, a descoberta de Milton Ribeiro de que não é possível “impor vontade pela força” é algo que desmoraliza o pastor e traz questionamentos sobre o real papel do quarto nomeado para o cargo durante o governo de Jair Bolsonaro. “Imaginou-se que o ministro Milton Ribeiro fosse restabelecer o diálogo com a comunidade acadêmica, mas a edição desta portaria mostra que os canais de conversa continuam obstruídos, o que é uma pena”, lamentou. Ele criticou o timing no qual o representante do MEC decidiu conversar com os representantes das universidades. “A pergunta é: por que não convocou os reitores para conversar antes de editar a portaria?”, questionou. Para Thaís Oyama, esse é mais um desgaste desnecessário do governo federal após uma “medida impulsiva tomada com base em uma decisão ideológica”. Ela afirmou que a “volta atrás” do MEC ocorreu apenas para não desmoralizar a pasta diante de uma decisão que desafiava a constituição e provavelmente seria desrespeitada pelas instituições de ensino de toda forma. “As universidades federais têm o princípio da autonomia e isso foi ressaltado por vários reitores, que logo trataram de lembrar o ministro da Educação”, analisou. Ela trouxe, ainda, dados que demonstram alta nos casos e internações do país. “Isso me parece, parece também aos especialistas, um sinal bastante claro de que a doença está tendo um aumento”, afirmou.

Confira o programa “3 em 1” desta quarta-feira, 2, na íntegra: