‘É difícil jogador se manifestar, mas sabe dos problemas que tem na CBF’, diz Vampeta

Ex-jogador e comentarista participou do programa ‘Direto ao Ponto’ desta segunda-feira, 14, e falou sobre Copa América, seleção e as dificuldades do futebol brasileiro

  • Por Jovem Pan
  • 14/06/2021 23h05
Reprodução/ YoutubeVampeta no Direto ao Ponto desta segunda-feira, 14

Em meio à realização da Copa América no Brasil, o ex-jogador e agora comentarista da Jovem Pan e dirigente do Grêmio Audax, Vampeta participou do programa ‘Direto ao Ponto’ desta segunda-feira, 14, para comentar sobre os problemas da Confederação Brasileira de Futebol – CBF, a situação do futebol brasileiro atualmente e histórias dos tempos de gramado. Perguntado sobre o porquê os atletas da seleção não se manifestam sobre os problemas na Confederação, vide que os últimos quatro presidentes se envolveram em crimes, Vampeta deu a letra. “Não somos leigos de tudo, principalmente quem atua no Brasil. São gerações diferentes, eu sei que a nossa classe de jogadores parece unida, mas é muito desunida. Se pegar pelo mundo, os jogadores que se manifestam são os argentinos, o resto é muito pouco. É difícil a gente se manifestar, mas sabemos dos problemas que têm. A minha geração estava mais focada em querer ganhar, em jogar bem e ir para a seleção e ter contratos melhores. A gente se manifestava pouco e vai de cada um se manifestar no seu individual, eu nunca me manifestei”, confessou.

Abordado também sobre a ameaça que surgiu dos jogadores da seleção de não jogar a Copa América, o ex-jogador disse que não concorda com a atitude do time. “Quando se falava de Colômbia e Argentina ninguém se manifestava. Na Copa América de 1999 eu fui campeão e para a carreira de alguns ali, para marcar as histórias na seleção só Neymar e Alisson podem dizer que ‘estaremos na Copa de 2022 no Catar’, jamais pensei que um Casemiro, Fred, Lodi ou Marquinhos se reuniriam para falar que não iam jogar”, disse. “Conversando com outros ex-atletas eu perguntei e todos eles eram contra, porque se o motivo era segurança, a segurança e os testes e protocolos é muito mais seguro do que competições que estão acontecendo aqui no Brasil”, completou.

Vampeta, inclusive, disse que se o escândalo de Rogério Caboclo por assédio sexual e moral não tivesse acontecido, hoje a seleção brasileira teria outro técnico. “Pelo que eu vivi nas convocações anteriores, eu trabalhei com quatro técnicos diferentes. Se não fosse o escândalo do Caboclo, eu duvido que o Tite ficaria na seleção. Porque a manifestação do Casemiro e do Tite no sábado, na coletiva, é que pediu para não jogar a Copa América aqui no Brasil e o Caboclo não deu nem atenção e nisso eu acho que ele está certo, ele é o presidente. Tem uma hierarquia. E com a fragilidade nele no assédio sexual eles vieram à tona”, contou.

Dificuldades do futebol brasileiro e possibilidade de se naturalizar holandês

Dirigente no Grêmio Audax, em Osasco, Vampeta explicou como monta seu elenco para encarar o calendário paulista. “A gente procura utilizar jogadores em torno de 20 anos porque assim tem oportunidade de, quando acaba o calendário, jogar o campeonato sub-20. Alguns param e vão fazer outra coisa e isso é que a gente paga direitinho, mas tem lugares que não pagam regularmente”, confessou. Sobre ‘segurar’ os atletas promessas no país, o ex-jogador diz que a disputa é desleal. “Como se mantinha antes? O Santos e o Botafogo eram os times que mais excursionavam pela Europa, então tinha uma cota e o Pelé ganhava muito. Como não tem excursão e o valor do dinheiro é outro, não tem como mais manter. Duvido que o desejo do Gerson era sair para o Olympique, não tem uma torcida como a do Flamengo, mas é 6 por 1, 5 por 1, então é difícil segurar”, disse.

Entre os clubes pelos quais passou durante a carreira, Vampeta jogou no PSV, da Holanda, e contou durante a entrevista que pensou em se naturalizar holandês para disputar competições internacionais. “Eu quase cheguei a me naturalizar, porque quando você não tem perspectiva de ser convocado …. fiquei lá por três anos e meio, pelo apelido ser Vampeta o Valencia foi para me comprar achando que eu era holandês e eles viram que era passaporte brasileiro e eles dizem ‘não, não'”, contou ao risos. Ele emendou dizendo que entende os jogadores que optam pela naturalização.

Confira abaixo a íntegra da entrevista com Vampeta no ‘Direto ao Ponto’: