Carrefour ameaça processar autores de livro sobre a morte de João Alberto

João Alberto Silveira Freitas foi espancado e morto por seguranças de uma empresa terceirizada no estacionamento de uma unidade do grupo; crime aconteceu em novembro do ano passado

  • Por Jovem Pan
  • 30/06/2021 08h45
Reprodução de vídeo/19.10.2020Exemplar aborda de forma aprofundada o episódio da morte João Alberto Freitas em um supermercado da rede em Porto Alegre

A Universidade Zumbi dos Palmares deve registrar um boletim de ocorrência contra o Carrefour. O grupo é acusado de censurar o lançamento de um livro sobre o episódio da morte do cliente negro João Alberto Silveira Freitas. O livro “Caso Carrefour, Segurança Privada e Racismo” é fruto de uma pesquisa feita pela professora da Unicamp, Susana Durão, em conjunto com a coordenadora do grupo de estudo “segurança do futuro” da faculdade Zumbi dos Palmares. O exemplar aborda de forma aprofundada o episódio da morte João Alberto Freitas em um supermercado da rede em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, em novembro de 2020. A obra também traz reflexões sobre quais seriam as boas praticas em segurança patrimonial preventiva. O lançamento do livro aconteceu nesta terça-feira e um convite foi encaminhado para o grupo Carrefour. O reitor da faculdade Zumbi dos Palmares, José Vicente, afirmou que, em resposta ao convite, a empresa informou que vai buscar a responsabilização criminal dos envolvidos no material por prejuízos causados a imagem do Carrefour por associação a pratica de racismo e utilização indevida de documentos.

José Vicente afirma que isso é censura e vai fazer boletim de ocorrência. “Nós nos sentimentos extremamente intimidados, censurados e sentimos ameaçados e constrangidos por essa conduta criminosa. Queremos repudiar veementemente essa atitude totalmente insano do Carrefour de querer calar uma pesquisa científica, feita com os rigores das estruturas e das bases da ciência”, pontua. João Alberto Freitas, de 40 anos, foi espancado e morto por seguranças de uma empresa terceirizada no estacionamento da unidade da rede Carrefour. O crime aconteceu em 19 de novembro de 2020, véspera do Dia da Consciência Negra. Em nota, o Carrefour disse que não foi procurada para contribuir com o livro e que observou documentos internos publicados anuência da empresa. O grupo ressaltou o compromisso de combater o racismo estrutural no Brasil e disse que desde o ocorrido mantém uma postura transparente e colaborativa, tendo celebrado um termo de compromisso com autoridades públicas no valor de R$ 115 milhões em ações em prol da igualdade racial.

*Com informações da repórter Carolina Abelin