Congresso quer explicações da Anvisa e Instituto Butantan sobre CoronaVac; Bolsonaro defende vacina ‘sem pressa’

A tendência é que seja negociada a ida dos responsáveis pelas instituições à comissão especial que discute a pandemia no Brasil na sexta-feira, 13

  • Por Jovem Pan
  • 11/11/2020 05h41 - Atualizado em 11/11/2020 08h10
Will Shutter/ Câmara dos DeputadosO presidente da comissão, senador Confúcio Moura (MDB) pediu o fim da politização da vacina

O presidente Jair Bolsonaro disse que torce para que seja encontrada uma vacina contra a Covid-19, mas que ela precisa ser desenvolvida sem pressa. Em uma live pelas redes sociais, ele voltou a criticar, sem citar nomes, a postura do governador de São Paulo, João Doria (PSDB). A declaração se deu após o presidente, ao responder a um seguidor no Facebook, ter insinuado que a CoronaVac poderia causar “morte, invalidez, anomalia”. Segundo Bolsonaro, “esta é a vacina que Doria queria obrigar a todos os paulistanos tomá-la”. E completou afirmando ter sido “mais uma que Jair Bolsonaro ganha”. Após a declaração presidencial, Doria rebateu dizendo que “efeito adverso grave de um voluntário não está relacionado à vacina”, e reforçou que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) é um órgão técnico. O governador diz confiar que testes com a vacina, produzida pelo laboratório chinês Sinovac Biotech em parceria com o Instituto Butantan, serão retomados de imediato.

O debate provocou reações no Congresso Nacional. A comissão especial que discute a pandemia no país marcou uma sessão extraordinária para votar, nesta quarta-feira, 11, um convite aos presidentes da Anvisa, Antônio Barra Torres, e do Butantan, Dimas Covas, prestarem esclarecimento sobre a situação da CoronaVac. O autor de um dos requerimentos é o senador Alessandro Vieira (Cidadania). “Vai ser votada na comissão da Covid-19 um requerimento convocando o diretor-presidente da Anvisa e o diretor do Butantan para que tenham esclarecimentos em relação ao processamento da vacina CoranaVac. A gente não pode permitir que a questão política se coloque acima do interesse público, no caso específico, o interesse da saúde”, explica. A princípio, os parlamentares votariam um requerimento de convocação, o que obrigaria os presidentes a comparecerem à comissão. Depois, foi feito um acordo para que seja aprovado apenas um convite, em que a autoridade por de recusar. Mas a tendência é que seja negociada a ida dos dois, possivelmente já na sexta-feira, 13.

O presidente da comissão, senador Confúcio Moura (MDB) pediu o fim da politização da vacina. “O que nós queremos é vacina, a vacina boa, a vacina barata, a vacina que saia rápido, que imunize as pessoas, que tire o povo da agonia dessa doença sem fim. Então não podemos politizar a vacina”, disse. Já o deputado Coronel Tadeu (PSL) defendeu a postura do presidente Jair Bolsonaro no caso. Para o parlamentar, ele está certo em comemorar e classificou a disputa como uma “novela de marketing” por parte de João Doria. “O governador quer tratar os paulistas e os brasileiros como gado, o presidente não. Trata com responsabilidade e quer cuidar da saúde de todos os brasileiros. A vacina virá com toda certeza em algum momento, mas no momento certo com uma vacina absolutamente aprovada pelo órgão oficial de saúde do nosso país.”

Pelas redes sociais, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia disse que “entre pólvoras, maricas e o risco à hiperinflação, temos mais de 160 mil mortos no país, uma economia frágil e um estado às escuras”, em uma alusão a declaração também feita pelo presidente Jair Bolsonaro nesta terça-feira, em que ele afirma que o Brasil tem que “deixar de ser um país de maricas” e “enfrentar o assunto [Covid-19] de peito aberto”. “Não adianta fugir disso, fugir da realidade. Tem que deixar de ser um país de maricas. Olha que prato cheio para a imprensa. Prato cheio para urubuzada que está ali atrás. Temos que enfrentar de peito aberto, lutar. Que geração é essa nossa?”, questionou. Após a declaração, Maia reafirmou na publicação o compromisso com a vacina, a independência dos órgãos reguladores e com a responsabilidade fiscal.

*Com informações do repórter Levy Guimarães