Conselho de Ética aprova suspensão de 2 meses a Daniel Silveira por gravação oculta

Partido Social Liberal acusa o deputado federal de ter gravado e divulgado, em 2019, uma reunião reservada sobre a liderança do partido

  • Por Jovem Pan
  • 30/06/2021 06h44 - Atualizado em 30/06/2021 08h47
Plínio Xavier/Câmara dos DeputadosDeputado nega as acusações, mas teria assumido anteriormente a autoria em entrevista à imprensa

O Conselho de Ética da Câmara aprovou a suspensão de Daniel Silveira, por dois meses, pela divulgação de uma reunião interna do Partido Social Liberal (PSL).O parlamentar tinha direito a recorrer da decisão, em cinco dias, mas a defesa abriu mão e a análise final caberá ao plenário da Casa. O relator, deputado Alexandre Leite (DEM), inicialmente propôs o afastamento das atividades parlamentares por quatro meses, mas acolheu o argumento dos deputados. “Proporcionalmente, um mês por cada conduta, assim como fiz dois meses por conduta, alteração em benefício do representado”, disse. O colegiado aprovou o relatório por 13 votos a 3. O PSL acusa Daniel Silveira de ter gravado e divulgado, em 2019, uma reunião reservada sobre a liderança do partido. O deputado nega as acusações, mas teria assumido anteriormente a autoria em entrevista à imprensa. O parlamentar afirmou que a reunião não era secreta e que apenas havia recebido o material e agiu em defesa do presidente Jair Bolsonaro.

Daniel Silveira está preso novamente após descumprir regras da prisão domiciliar e não ter pago fiança de R$ 100 mil. Esse caso embasa outro processo no Conselho de Ética contra o deputado. Ele é acusado de quebra de decoro parlamentar por incitar em vídeos a violência contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), defender o AI-5 e o fechamento da Suprema Corte. O relator desse processo, deputado Fernando Rodolfo (PL), recomendou a suspensão por seis meses do exercício do mandato, mas ainda não houve a votação. Daniel Silveira responde a um terceiro processo movido pela Rede, PSOL e PSB, pelo qual é acusado de ameaçar manifestantes em postagens no Twitter. Sobre a somatória de penas, o presidente do Conselho de Ética, Paulo Azi (DEM) explicou que elas devem ser unificadas para o encaminhamento da decisão do plenário da Câmara dos Deputados, com o limite de seis meses.

*Com informações do repórter Marcelo Mattos