Guaidó entra em semana decisiva para manter legitimidade e apoio internacional

As eleições legislativas, realizadas em 6 de dezembro, foram marcadas por abstenção de 70% dos eleitores e irregularidades

  • Por Jovem Pan
  • 04/01/2021 08h07
EFE/RAYNER PEÑA R.Guaidó é reconhecido como presidente legítimo da Venezuela por mais de 50 países, mas a manobra pode reduzir o apoio

Uma Assembleia dominada pelo Chavismo toma posse na terça-feira, 5, na Venezuela. Dos 277 deputados, apenas 21 fazem oposição ao presidente Nicolás Maduro. As eleições legislativas, realizadas no país em 6 de dezembro, foram marcadas por abstenção de 70% dos eleitores e irregularidades. Numa tentativa de boicote, os opositores recusaram participar do pleito. A assembleia era a única instância controlada por forças críticas a Maduro, lideradas pelo presidente autoproclamado Juan Guaidó.

Em 26 de dezembro, os deputados aprovaram uma reforma parcial no Estatuto de Transição para que a Assembleia Nacional funcionasse através de uma comissão delegada até 5 de janeiro de 2022 ou até que “haja eleições livres”. A professora de Relações Internacionais da Universidade Federal de São Paulo, Carolina Pedroso, afirma que a manobra aprofunda a instabilidade na Venezuela e mergulha o país em um cenário de sobreposição de poderes. “Do ponto de vista constitucional, o mandato deles está terminando. Quando ovcê aprova uma reforma nesse sentido, é como se fosse um ‘autogolpe’ do parlamento para se manter no poder. Então a Venezuela está caminhando para um cenário de ter dois parlamentos no poder. Um parlamento da oposição e o parlamento novo que foi eleito.”

Guaidó é reconhecido como presidente legítimo da Venezuela por mais de 50 países, mas a manobra pode reduzir o apoio internacional. A União Europeia discute assumir uma posição em que não reconhece o resultado das eleições legislativas e deixa de considerar Guaidó como presidente interino. A professora da Unifesp, Carolina Pedroso, afirma que o ato do grupo europeu será algo inédito. “Se a União Europeia não reconhece o parlamento eleito em 2020 e também não reconhece para manter o de 2015, quem ela vai reconhecer? A gente ainda não sabe. O que dá pra se ler é que a motivação da UE é preservar o mínimo dos valores democráticos da Venezuela.” A União Europeia deve emitir um comunicado com o posicionamento do bloco nesta quarta-feira, 6.

*Com informações da repórter Nanny Cox