PF deflagra “Operação Fada Madrinha” contra tráfico internacional de pessoas e trabalho escravo

  • Por Jovem Pan
  • 09/08/2018 08h12
Marcelo Camargo/Agência BrasilMarcelo Camargo/Agência Brasil

Em conjunto com o Ministério Público do Trabalho e o Ministério Público Federal, a Polícia Federal deflagrou na manhã desta quinta-feira (09), na cidade de Franca, a Operação Fada Madrinha, que visa repreender o tráfico internacional de pessoas e o trabalho escravo.

Ao todo, 52 policiais federais cumprem cinco mandados de prisão preventiva e oito de busca e apreensão nas cidades de Franca (SP), São Paulo (SP), Goiânia (GO), Aparecida de Goiânia (GO), Jataí (GO), Rio Verde (GO) e Leopoldina (MG), todos expedidos pela 2ª Vara Federal de Franca, SP.

A investigação teve início em novembro de 2017, quando a Polícia Federal recebeu informações de que transexuais estavam sendo aliciadas pelas redes sociais com promessas da realização de procedimentos cirúrgicos para a transformação facial e corporal e da participação em concursos de misses na Itália.

As investigações apontam que as vítimas, ao chegarem à cidade de Franca, em busca das promessas, eram submetidas à exploração sexual e à condição análoga à de escravas, sendo obrigadas a adquirir itens diversos dos investigados (roupas, perucas, sapatos etc.), o que as levava a um ciclo de endividamento.

Os investigados aplicavam silicone industrial no corpo das vítimas e as encaminhavam para clínicas médicas para implante de próteses mamárias, havendo indícios de que as próteses utilizadas eram provenientes de reuso.

As vítimas consideradas mais bonitas e promissoras eram enviadas à Itália para a participação em concursos de misses, tudo a expensas dos investigados, o que dava causa a um novo ciclo de endividamento. Naquele país, eram novamente submetidas à exploração sexual para o pagamento de suas dívidas com o grupo criminoso”, aponta a Polícia Federal.

Com as investigações ficou constatado que esquema semelhante estava em curso em Goiás e Minas Gerais, e que havia uma espécie de parceria comercial entre os investigados com o “intercâmbio” de vítimas.

Os investigados responderão pelos crimes de tráfico internacional de pessoas, redução à condição análoga à de escravo, associação criminosa, rufianismo e exercício ilegal da medicina. Se condenados, as penas podem ultrapassar 25 anos de reclusão.

*Informações do repórter Tiago Muniz