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Quais os desdobramentos após prisão de general por tentativa de golpe na Bolívia?

Ação, liderada pelo general Juan José Zuniga, envolveu tanques e soldados que tomaram o centro de La Paz, onde está localizado o palácio presidencial

Felipe Cerqueira

O ex-comandante do Exército da Bolívia foi preso após uma tentativa frustrada de golpe no país. A ação, liderada pelo general Juan José Zuniga, envolveu tanques e soldados que tomaram o centro de La Paz, onde está localizado o palácio presidencial. Temendo uma invasão, o presidente boliviano, Luis Arce, fez um discurso em defesa da democracia. O professor de relações internacionais Manuel Furriela destacou que o ato foi isolado, mas que Arce precisará tomar medidas para evitar novas tentativas, dado o desgaste nas relações com as Forças Armadas. “Apesar de ter sido algo isolado dentro das Forças Armdas, o que a gente não tem é um desgaste isolado. Quando o Arce foi eleito e houve uma retomada de um processo democrático — e não dentro das regras que Evo Morales quis modificar —, a Bolívia não conseguiu equacionar esse problema de relacionamento. Com essa ruptura entre Evo Morales e Arce, as Forças Armdas virama  possibilidade de Evo tentar retornar nas próximas eleições”, observou Furriela.

Durante a tentativa de golpe, civis reagiram e a polícia local obstruiu as proximidades do palácio para evitar um confronto maior. No início da noite, Juan José Zuniga foi preso e Arce empossou uma nova cúpula nas Forças Armadas. Após horas de tensão, as tropas deixaram a Praça Murillo e a população se reuniu no local para demonstrar apoio ao presidente. Em seu discurso, Arce agradeceu a resistência do povo boliviano. A comunidade internacional condenou a tentativa de golpe. Líderes da América Latina, entre eles o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e a Comissão Europeia reforçaram o apoio à democracia boliviana. O secretário-geral da Organização dos Estados Americanos, Luis Almagro, afirmou que a OEA não tolerará a violação da ordem constitucional na Bolívia. O presidente mexicano, Andrés Manuel López Obrador, e o presidente uruguaio, Luis Lacalle Pou, manifestaram solidariedade a Arce. Até o ditador venezuelano, Nicolás Maduro, se posicionou contra o golpe.

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A Suprema Corte da Bolívia também condenou a tentativa de golpe, destacando a importância da rápida reação internacional para impedir o sucesso dos golpistas. A corte enfatizou a necessidade de fortalecer as instituições democráticas no país e de garantir que os responsáveis pela tentativa de golpe sejam devidamente julgados. A resposta firme das autoridades e da comunidade internacional foi crucial para a manutenção da ordem constitucional na Bolívia.

*Com informações do repórter Alvaro Nocera

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