Venezuelanos no Brasil lutam por recomeço e adaptação fora de seu país

  • Por Jovem Pan
  • 07/03/2019 08h35
Daniel Teixeira/Estadão ConteúdoVenezuelanos chegam ao município brasileiro de Pacaraima, em Roraima, após atravessar a fronteira de forma clandestina

Recomeçar a vida em outro país não é tarefa simples, ainda mais para quem foge de um país em colapso como a Venezuela. Falar uma nova língua, se ajustar a uma cultura diferente, conseguir um emprego e um lugar para morar.

O tempo médio que os refugiados permanecem nos centros de acolhimento é cerca de seis meses, período considerado necessário para adequação.

A psicóloga da Casa de Passagem Terra Nova, Berenice Padilha, afirma que a maior dificuldade na adaptação dos imigrantes é inseri-los no mercado de trabalho.

Angel Bragamonte é um ex-militar do governo Maduro. Desertou e deixou a Venezuela por discordar da política chavista e porque o salário baixo não o dava condições de sobrevivência. Há sete meses vivendo no Brasil, Angel conta que a pior situação pela qual passou foi trabalhando em um restaurante de Boa Vista. Ele chegou a São Paulo com a ajuda da Operação Acolhida, parceria da ONU com o governo brasileiro.

Gabriela Romero é camareira em um hotel em São Paulo. Ela conta que escolheu vir para a capital por achar que aqui a vida seria mais fácil.

Morador do mesmo centro de acolhimento, Luiz Coraspe era agricultor na Venezuela, onde deixou 6 filhos e 9 netos. Hoje ele trabalha como gari na prefeitura e junta dinheiro para alugar uma casa e trazer a família ao Brasil.

Enquanto uns tentam trazer seus familiares, outros enviam ajuda aos que ficaram na Venezuela. É o caso de Odalis Uribe. A professora, que mora no Brasil há quatro anos com o marido e a filha, manda suprimentos não apenas para os familiares, mas também para desconhecidos que precisam de alimentos, roupas ou remédios. Odalis faz parte da projeto Amazonas – um grupo de 10 mulheres venezuelanas que moram na capital e no interior paulista e coletam doações para quem chega e para os que ainda continuam por lá.

As Amazonas enviam as doações por correio até Roraima e uma ONG local se encarrega de levar o material além da fronteira.

Ao mesmo tempo em que tentam se adaptar ao novo país, venezuelanos guardam a expectativa de voltar a sua terra.

*Informações da repórter Victoria Abel