‘Vitória não reflete presença no alto escalão do judiciário’, diz 1ª mulher a presidir a Associação de Advogados de SP

Primeira mulher a presidir Associação dos Advogados de São Paulo, criada há 77 anos, vê avanço ainda tímido ao assumir cargo em maior órgão do tipo na América Latina

  • Por Jovem Pan
  • 01/01/2021 09h31 - Atualizado em 01/01/2021 09h55
AASP/Twitter/ReproduçãoGirardi assume cargo nesta sexta

A história do judiciário brasileiro sempre deu destaque para os feitos e falas de grandes tribunos, quase sempre nomes masculinos. A presença feminina não só nos tribunais, mas também nas bancas de advogados, é um movimento recente, apesar de ainda tímido e muito distante da igualdade buscada, ou ao menos defendida por quem comanda o universo jurídico. Esse cenário muda um pouco a partir de agora. A advogada Viviane Girardi assume nesta sexta-feira, 1, a presidência da Associação dos Advogados de São Paulo. Ela será a primeira mulher a comandar a entidade, fundada há 77 anos e com cerca de 80 mil integrantes, maior associação de advogados da América Latina.

Em entrevista à Jovem Pan, Girardi afirma que a vitória demonstra a trajetória das mulheres em busca da representatividade e de ocupação dos espaços de poder. “Uma inovação da associação dos advogados, mas também uma grande conquista para todas as mulheres, sejam elas advogadas ou não”, afirmou. As mulheres representam hoje mais da metade dos advogados inscritos na OAB. Viviane Girardi avalia que esse avanço ainda não se reflete nos cargos de alto escalão. “Nós sabemos as dificuldades que são e que nós mulheres temos para galgar os postos de maior poder, os postos de representação”, lembrou. Viviane lembra que, nos grandes escritórios, por exemplo, mulheres compõem de 50 a 60% da estrutura de trabalho, mas não chegam a 30% nos postos de chefia ou direção. “Existe um déficit de representação feminina gigante”, analisou. Para Viviane, a AASP reconheceu a presença feminina na advocacia ao eleger mais mulheres do que homens para nova a gestão.

*Com informações da repórter Camila Yunes