WhatsApp vira ‘agência de notícias’ para brasileiros na Bolívia

  • Por Jovem Pan
  • 14/11/2019 06h30
EFEPaís vive onda de protestos desde 20 de outubro, quando Evo Morales venceu as eleições

As incertezas na Bolívia fizeram com que um grupo de mais de 200 brasileiros que vivem na cidade de Cochabamba se organizassem para trocar informações. As mensagens no WhatsApp iam desde atualizações da situação nas ruas até o contato de entregadores de delivery, já que a maior parte das pessoas evitou sair de casa.

Umas das principais responsáveis pelas informações, a empresária brasileira Viviani Lema, pegou um mototáxi em meio a organização do próprio casamento para conferir como estava o clima na cidade. De acordo com ela, os protestos em Cochabamba começaram tranquilos, mas as tensões aumentaram com o tempo.

“Começou a ficar muito mais intenso porque eles começaram a pedir outras coisas. Primeiro eles queriam o segundo turno, depois foi comprovada a fraude e ficava uma briga entre a população e o presidente – e então eles já estavam reivindicando outras coisas. Eles queriam a renúncia do presidente”, disse, acrescentando que houve escassez de alguns produtos, mas nada que afetasse a rotina.

Já a brasileira Fernanda Ferancini viveu momentos de tensão na capital, La Paz. “Essa última semana foi um verdadeiro pesadelo por todos os ataques. Aqui, onde eu vivo, com outros bolivianos e estrangeiros, a gente dormiu com rotação de vigília, com uma mochila de emergência, caso fosse necessário sair de repente, pelos ataques sofridos na zona”, contou.

A brasileira Mariana Flávia estuda medicina em Santa Cruz de La Sierra, a maior cidade da Bolívia. Apesar da tensão no país, ela não presenciou confrontos.

“Infelizmente em outros lugares não foi assim, em alguns houve morte, mas aqui em Santa Cruz eu não vi nada. Salvo engano no dia que o Evo Morales renunciou, que teve um pouquinho de conflito, sim, de pessoas filiadas ao partido dele, porém a polícia logo entrou e ação e tudo se normalizou”, afirmou, ressaltando que voltou às aulas nesta quarta-feira (13).

*Com informações da repórter Nanny Cox