Provedor da Santa Casa de SP projeta atendimento 100% só em dezembro

  • Por Jovem Pan
  • 17/05/2018 14h02 - Atualizado em 17/05/2018 14h03
KEVIN DAVID/A7 PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO"Falta dinheiro no caixa", diz Antonio Penteado Mendonça

A Santa Casa de Misericórdia de São Paulo só poderá operar com 100% de sua capacidade a partir de dezembro. E isso se prosperarem as negociações da instituição com a Caixa Econômica, o governo do Estado, o ministério da Saúde e o ministério da Fazenda, para o refinanciamento da dívida, que está em R$ 700 milhões atualmente e cresce de R$ 10 mi a R$ 15 milhões por mês.

Essa é a previsão do provedor da Santa Casa de São Paulo, Antonio Penteado Mendonça, que falou à Jovem Pan em entrevista exclusiva nesta quinta-feira (17).

“Estamos em negociações com o ministério da Saúde, governo do Estado, Caixa, ministério da Fazenda. Se tudo ocorrer bem, em dezembro eu te dou uma entrevista com a dívida consolidada. Nós continuaremos devendo, mas nós não teremos problemas de atendimento”, garantiu. “É só não atrapalhar, que está muito, muito bem encaminhado. Eu preciso até dezembro para deixar esse hospital girando com 100% da capacidade dele”, estimou.

Em 2016, quando já estava em crise, a Santa Casa de São Paulo fez um contrato de refinanciamento de R$ 360 milhões com a Caixa Econômica Federal para resolver pendências com fornecedores e bancos. Mendonça diz que o acordo foi feito “sob uma pressão terrível” e a Casa tem que arcar com juros de 16,6% ao ano.

“Nós estamos pagando um juro absolutamente exorbitante”, diz Mendonça, lembrando que a Santa Casa é um hospital filantrópico. O SUS cobre 60% de suas despesas e a instituição recebe apoio extra do Estado e da Prefeitura de São Paulo. Ainda há imóveis da instituição e o lucro do hospital particular Santa Isabel para ajudar a cobrir o rombo. Mas “a conta não fecha”, afirma o provedor. “Continua faltando dinheiro”.

“Temos de pagar os financiamentos da Caixa, o que gera um desembolso muito grande todos os meses”, disse. “Não conseguimos insumos essenciais para o funcionamento do hospital”, reconheceu.

“Hoje nós temos um déficit mensal entre R$ 10 milhões a R$ 15 milhões”, afirmou Mendonça. “Isso tem que ser equalizado e a forma de equalizar isso é nós conseguirmos renegociar principalmente o contrato com a Caixa Econômica Federal”, opina o provedor.

Triagem

Decido à falta de recursos no caixa da Santa Casa, o provedor explica que é necessário fazer uma “triagem” para priorizar o atendimento dos casos mais graves. “A Santa Casa é o último grande hospital público de São Paulo que está com o pronto-socorro aberto. Todo cidadão tem que ser atendido. Temos de ter uma margem de reserva estratégica para atender as mais de mil pessoas que chegam. E uma parte precisa de cirurgia”, disse.

“Eu tenho que fazer e a Santa Casa tem feito uma triagem dos procedimentos eletivos menos importantes para ter certeza de que vamos atender as emergências do pronto-socorro”, afirmou Mendonça.

Reportagem da Jovem Pan nesta quarta (16) mostrou que faltam insumos básicos como gaze e água na torneira até para pacientes que enfrentam câncer (veja o segundo vídeo ao final do texto).

Escândalo repercute

Denúncias de corrupção de gestões anteriores da Santa Casa e a crise financeira fizeram o pronto-socorro do hospital ser fechado temporariamente em 2014.

O caso está em investigação pelo Ministério Público, mas ainda repercute negativamente nas contas da instituição. Antes da explosão da crise, 39 unidades de Saúde em São Paulo davam um faturamento de R$ 1,3 bilhão por ano à Santa Casa.

“Com a crise do fechamento do pronto-socorro, tiraram da Santa Casa a gestão da maior parte dessas unidades. De repente a gente tinha 50% a menos”, disse Mendonça. Naquela época, diz o provedor, a Santa Casa já tinha uma dívida na casa de R$ 450 milhões. Mendonça tenta desde ano passado voltar a administrar as unidades.

A Santa Casa de São Paulo atende 2,5 milhões de pessoas e faz mais de 4 milhões de procedimentos médicos por ano. O hospital alega que problemas pontuais poderão acontecer em casos de pacientes que tenham exames eletivos, aqueles que não são urgentes.

Nesta quinta, representantes da Santa Casa se reúnem com o ministro da Saúde Gilberto Occhi para discutir os repasses.

Veja a entrevista completa dada ao repórter Tiago Muniz durante o programa Ligado na Cidade: