Leo Dias: Jonathan Azevedo fala sobre racismo após ser lesado em blitz no RJ

Ator, que está de volta à Globo em reprise de ‘A Força do Querer’, conversou com Leo Dias no Tô na Pan desta terça-feira (22)

  • Por Jovem Pan
  • 22/09/2020 13h04
Reprodução/Instagram/negblackJonathan Azevedo vive Sabiá em novela da TV Globo, que está de volta em edição especial por causa da pandemia

O ator Jonathan Azevedo está de volta à TV Globo com a reprise em edição especial da novela “A Força do Querer”. Em conversa franca com Leo Dias e Ligia Mendes no Tô na Pan desta terça-feira (22), o intérprete de Sabiá falou sobre racismo e a perda da chave de seu carro em uma blitz recente na Região dos Lagos, no Rio de Janeiro. Azevedo estava indo para Búzios quando foi abordado por policiais na estrada. “O rapaz fez o trabalho dele, tirou tudo [do carro] e eu não sabia nem mais onde estava meu dinheiro para pagar pedágio. Mas fui supereducado, ele me chamou para tomar um café e vou fazer o que? Tomei café, respirei, mas quando saí, esqueci a chave do carro lá. Estou sem carro até hoje. Tive que pedir desculpas para a empresa porque o meu carro é patrocínio. No final, ele [policial] falou: ‘tu não é aquele menino da novela?'”, relatou.

O ator refletiu sobre a questão racial no Brasil e comentou o anúncio da empresa Magazine Luiza, que irá fazer um programa trainee exclusivo para negros. “Eu sou uma pessoa que depois que comecei a estudar e pensar, comecei a ver movimentos e sigo pessoas maravilhosas que estão me ajudando”, disse. “Quando comecei a ir nas lojas, qualquer uma, eu procurava ser atendido por uma pessoa preta, um atendente que iria saber melhor o que combina com nosso tom de pele e não tem. [Essa pessoa] está no estoque. Comecei a falar ‘me desculpa, mas só vou gastar aqui quando ele estiver aqui para me atender’. Porque tem preto [trabalhando lá], mas está em cima e não na loja”, protestou.

Para Azevedo, a atitude da Magazine Luiza é louvável, pois é uma forma de quebrar a barreira racial ainda persistente no país. “Digo eu porque [o programa de trainee] é só pra preto: porque se fosse só para loira, você já ia pintar o cabelo para estar lá na fila”, rebateu sobre quem criticou a ação da empresa alegando “racismo reverso”. “Hoje a rede social está dando uma abertura para a gente aprender, mas ainda está faltando a gente escutar. O que ela [Magazine Luiza] está fazendo é um grito de uma empresa falando o que um governo ou um presidente deveriam estar pensando há muito tempo. De todas as reformas [a serem feitas], tinha que ter essa daí também.”

Reveja o Tô na Pan na íntegra: