Lp(a): o fator de risco cardíaco silencioso que atinge 1 em cada 5 pessoas
A prevenção cardiovascular evoluiu muito, mas ainda existem fatores de risco que passam despercebidos nos exames de rotina. A Lp(a) é um deles.
Estima-se que cerca de 20% da população tenha níveis elevados dessa lipoproteína, muitas vezes sem saber. Diferentemente do colesterol tradicional, ela não costuma ser incluída nos check-ups básicos, o que contribui para seu subdiagnóstico.
Um risco que não aparece no básico
A Lp(a) é uma partícula semelhante ao LDL, o chamado “colesterol ruim”, mas com uma característica adicional: ela possui uma proteína que aumenta sua capacidade de promover inflamação e formação de placas nas artérias.
O ponto mais importante é que seus níveis são determinados quase exclusivamente pela genética. Ou seja, não respondem de forma significativa a dieta, exercício ou perda de peso.
Isso significa que uma pessoa pode ter hábitos saudáveis, colesterol controlado e, ainda assim, apresentar risco cardiovascular aumentado por causa da Lp(a).
Por que quase ninguém mede
Apesar de já constar em diretrizes internacionais mais recentes como um fator relevante de risco, o exame ainda é pouco solicitado na prática clínica.
Parte disso se explica pela tradição de focar nos fatores clássicos, como colesterol total, LDL, hipertensão e diabetes. Outra razão é que, até pouco tempo atrás, havia poucas opções específicas de tratamento direcionadas à Lp(a), o que reduzia a percepção de utilidade do exame.
Esse cenário, no entanto, está mudando. Hoje já se reconhece que medir a Lp(a) ao menos uma vez na vida pode ajudar a identificar pessoas com risco oculto, especialmente aquelas com histórico familiar de infarto precoce ou doença cardiovascular sem explicação aparente.
O que fazer ao descobrir níveis altos
Receber um resultado elevado de Lp(a) não significa que um evento cardiovascular vai acontecer, mas indica a necessidade de maior atenção.
Como não há, até o momento, intervenções amplamente disponíveis capazes de reduzir significativamente essa lipoproteína, a estratégia principal é controlar de forma rigorosa os demais fatores de risco.
Isso inclui manter o colesterol LDL em níveis mais baixos, controlar a pressão arterial, evitar o tabagismo, praticar atividade física e cuidar da saúde metabólica.
Além disso, novas terapias específicas estão em desenvolvimento e vêm mostrando resultados promissores em estudos clínicos, com potencial de reduzir significativamente os níveis de Lp(a) no futuro.
A Lp(a) representa um exemplo claro de como a genética pode influenciar o risco cardiovascular de forma silenciosa.
Identificar esse fator é uma oportunidade de agir mais cedo e de forma mais precisa – antes que o problema se manifeste.
Dra. Ana Paula Andrade Garcia – CRM-SP 151.840
Cardiologia
Membro Brazil Health
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