JOVEM PAN

Jovem Pan
TV Ao Vivo
Morning Show | 10h00 - 12h00
Saúde

Toda dor na lombar é hérnia de disco? A resposta pode te surpreender

Entenda por que a dor lombar nem sempre vem de “desgaste” ou “disco fora do lugar” e como a avaliação clínica, explicada pela médica Camila Rodrigues Bressane Cruz, ajuda a evitar diagnósticos errados

Brazil Health

dor nas costas
Dor nas costas Sasun Bughdaryan/unsplash

A dor lombar é extremamente frequente na população mundial e afetou aproximadamente 619 milhões de pessoas em 2020, correspondendo a quase 10% da população mundial, segundo dados de estudo publicado na revista The Lancet. Sua prevalência aumenta com a idade, atingindo pico aos 85 anos de idade, com predomínio do sexo feminino e tendo como fatores de risco a obesidade, carregamento de peso no trabalho, depressão, tabagismo, doenças crônicas como diabetes e episódios anteriores de dor lombar.

A dor lombar no Brasil e seu impacto

No Brasil, estimativas de prevalência anual de lombalgia crônica entre adultos variam de 4,2 a 14,7%, sendo responsável por 100 dias de ausência ao trabalho por pessoa por ano entre 2012 e 2016 e representando quase 80% do custo anual da dor lombar no país.

Devido à sua importância tanto na saúde individual quanto na saúde pública, o diagnóstico da causa da dor lombar e seu tratamento eficaz são fundamentais.

O que é hérnia de disco e por que ela dói

Uma das principais causas de lombalgia, termo usado para descrever a dor na região lombar, é a hérnia de disco, que pode provocar dor na parte inferior das costas com irradiação para as pernas. O disco intervertebral é formado por uma camada externa de cartilagem espessa e um centro gelatinoso, ambos compostos em grande parte por colágeno e água. Sua função é amortecer o impacto entre as vértebras, garantindo a mobilidade e flexibilidade da coluna. Com o envelhecimento, o disco intervertebral sofre desidratação e enfraquecimento, o que predispõe à sua ruptura e ao extravasamento de parte do seu núcleo, que comprime a raiz nervosa próxima. Isso ocorre com mais frequência nas vértebras lombares mais baixas, que estão sujeitas a maior pressão e que estão próximas às saídas das raízes que compõem o nervo ciático.

Embora a hérnia de disco seja bastante frequente, ela não é a única causa de dor lombar.

Exame de imagem ajuda, mas não define tudo

Em uma era em que os exames de imagem se tornam cada vez mais detalhados, é muito comum que o paciente chegue ao consultório descrevendo as alterações de seus exames de ressonância magnética antes mesmo que o médico tenha tido tempo de perguntar a sua queixa. O exame de imagem é importante, porém deve ser complementar aos dados da história clínica e do exame físico. A análise de um exame de imagem isolado, sem considerar o contexto clínico do paciente, pode levar a erro no diagnóstico, uma vez que muitas das alterações descritas em laudos de exames de ressonância, como abaulamentos e protrusões discais, podem não gerar nenhum sintoma.

Além disso, existem outras causas de dor lombar, como o desgaste das articulações entre as vértebras e das articulações sacroilíacas — estruturas anatômicas que conectam a base da coluna vertebral (o sacro) aos ossos da bacia —, como ocorre na artrose, ou a sobrecarga mecânica dos ligamentos da coluna. Fraturas vertebrais e infecções do disco intervertebral também podem causar dor.

A síndrome dolorosa miofascial, caracterizada pela presença de pontos de contratura na musculatura paravertebral, também pode provocar sintomas como queimação e formigamento, que muitas vezes são confundidos com dor ciática. O diagnóstico depende principalmente de um exame físico bem realizado, já que, em geral, não são observadas alterações nos exames de imagem.

A tendinite glútea, uma inflamação dos tendões dos músculos localizados na região dos glúteos, muitas vezes se apresenta de forma semelhante a dor ciática. Uma história clínica e um exame físico detalhados, aliados a exames complementares específicos, são fundamentais para se diferenciar de uma hérnia de disco. Outras causas que também merecem ser investigadas pelo especialista, de acordo com as características da dor e da história do paciente, são doenças autoimunes com espondilite anquilosante e metástases ósseas.

Dessa forma, observa-se a variedade de causas de dor lombar, que muitas vezes se sobrepõem em um mesmo paciente. Por isso, o diagnóstico não deve ser baseado apenas no resultado de uma ressonância magnética ou tomografia. A avaliação deve considerar os sintomas, o histórico do paciente e o exame físico. Investigar o diagnóstico de forma adequada é a chave para o sucesso do tratamento da lombalgia.

Camila Rodrigues Bressane Cruz – CRM 103.953
Médica fisiatra

continue lendo