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‘Constituição é clara e veda reeleição à presidência da Câmara’, diz deputado do PL

Para o deputado federal Marcelo Ramos, tentativa do presidente Rodrigo Maia (DEM) de se reeleger em 2021 trava pautas no Congresso

Flávia de Souza Matos

Em 1º de fevereiro de 2021 acontecem as eleições para a presidência das duas Casas do Congresso Nacional – a Câmara e o Senado, e há muita discussão sobre a reeleição de Rodrigo Maia (DEM) e Davi Alcolumbre (DEM). A Constituição Federal proíbe a recondução de membros das Mesas Diretoras do Senado e da Câmara em duas eleições consecutivas, o que já ocorreu. Em entrevista ao programa 3 em 1, da Jovem Pan, o deputado federal Marcelo Ramos (PL-AM), comentou sobre a situação. Para ele, a pauta tem atrasado as votações nas Comissões Especiais e a aprovação de PECs. “Infelizmente alguns setores estão adiantando a eleição da sucessão do presidente Rodrigo Maia e isso faz com que os grupos políticos que disputam a eleição 2021 não queiram um dar a vitória ao outro em nenhuma matéria e isso tem impedido a Câmara de construir acordos básicos para o seu funcionamento e isso vai impedindo o trabalho”, disse.

Sobre reeleição, o deputado foi enfático. “Todo mundo sabe o carinho e respeito que eu tenho com o Maia, agora o carinho e respeito não é maior que a lealdade que eu tenho com a Constituição Federal. A Constituição é clara, ela veda a reeleição. Se a maioria dos deputados acharem que deve haver [reeleição], sem problemas. Apresenta uma PEC e aprova. Sem aprovar uma PEC não há possibilidade dentro do atual texto constitucional que permita a reeleição”, finalizou. O deputado também comentou sobre a decisão do presidente Jair Bolsonaro de indicar o desembargador Kassio Nunes Marques para ocupar a vaga de Celso de Mello, Supremo Tribunal Federal (STF). A atitude causou indignação de apoiadores do governo, entre elas a criação do abaixo-assinado pelo deputado estadual Marcel van Hattem contra a indicação de Kassio porque, segundo ele, o desembargador “foi indicado ao TRF1 por Dilma Rousseff“.

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Para Ramos, o que mais vale na indicação é a atitude de Bolsonaro e não o currículo do desembargador. “Não vejo nenhuma sinalização que desabone a conduta do futuro ministro Kassio Nunes. Agora o que fica claro é que o presidente Bolsonaro vai cada vez mais se afastando do bolsonarismo e voltando para o Centrão, de onde ele sempre foi quando era parlamentar, e óbvio que isso gera reação da base mais conservadora e radical do lado dele”, disse. Questionado sobre a influência de Flavio Bolsonaro na escolha do STF, Ramos diz não acreditar em conspirações. “Eu prefiro não ver risco que um ministro vá proteger Flavio. A conduta dele como magistrado não nos permite dizer se vai ao Supremo proteger ou condenar o Flavio Bolsonaro ou o Lula. A verdade é que quando os processos eram contra o Lula, existia uma gana de tirar os juízes garantistas, agora como tem o Lula e o Bolsonaro parece que existe vontade de deixar os garantistas”, referindo-se à fama de Kassio de ser um juiz garantista, ou seja, mais preocupado com os direitos fundamentais dos réus.

Confira a entrevista completa com o deputado federal Marcelo Ramos, no 3 em 1: