Jovem Pan resgata entrevista com PC Caju, primeiro “bad boy” do futebol brasileiro
Nascido no Rio de Janeiro em 16 de julho de 1949, Paulo Cézar Lima ganhou apelido de “caju” após tingir o cabelo. Considerado “bad boy”, atuou por grandes clubes: Botafogo, Flamengo, Vasco, Grêmio, Corinthians e, na França, vestiu a camisa do Olympique de Marseille. Na Copa de 1970, no México, ele foi o reserva da seleção mais acionado. Fez uma belíssima partida diante da Inglaterra, quando o Brasil não contou com Gérson.
Na preparação para o mundial, foi vaiado pela torcida de São Paulo que não o queria na equipe de Zagallo. O treinador, no entanto, estava certo ao escalá-lo para recompor o time no caso das ausências de Gérson e de Rivellino. Para a imprensa, Paulo Cézar disparou: “Graças a Deus consegui provar que não sou um inútil na seleção”. O jogador ainda disputou a Copa de 1974, na Alemanha, quando o time nacional terminou em quarto lugar.
Revirando os arquivos da Jovem Pan, encontrei uma entrevista praticamente inédita com Paulo Cézar Caju, gravada em 1979, no Rio de Janeiro, pelos repórteres Wanderley Nogueira e Israel Gimpel. De forma aberta, o jogador falou sobre inúmeros temas, além do futebol, como racismo. No início da conversa, Wanderley destaca aos ouvintes: “Com muita coragem, abertura e personalidade, ele passará agora a responder tudo aquilo que nos interessa saber. (…) Um homem atacado, criticado, polêmico e extrovertido.”
A gravação tem mais de uma hora e é uma viagem no tempo de um Brasil ainda ditatorial, mas que começava a ensaiar uma discreta abertura democrática.
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