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David de Tarso

Justiça solta PM investigado por morte de mulher durante abordagem em SP

Camila Pereira da Silva, de 32 anos, foi atingida por um tiro no peito em Pirituba

David de Tarso

Camila Pereira da Silva
Camila Pereira da Silva Reprodução

A Justiça concedeu liberdade provisória ao policial militar investigado pela morte de Camila Pereira da Silva, de 32 anos, durante uma abordagem policial em Pirituba, na zona noroeste de São Paulo. A mulher foi atingida por um disparo no peito na quinta-feira (15).

Segundo o registro policial, a ocorrência começou depois que o ex-companheiro de Camila procurou ajuda e relatou que ela estaria com uma faca e o perseguindo. Policiais militares foram até o local para atender à situação.

Na versão apresentada pelos agentes, Camila teria avançado na direção da equipe mesmo após ordens para interromper a aproximação e soltar a faca. O policial que efetuou o disparo afirmou que recuava quando acabou encurralado por um caminhão, situação que, segundo seu relato, limitou a possibilidade de afastamento.

A avaliação inicial da autoridade policial, porém, levantou dúvidas sobre a necessidade e a proporcionalidade do uso da arma de fogo. Ao analisar imagens da ocorrência, o delegado apontou que Camila estaria a alguns metros dos policiais no momento do tiro e que não seria possível identificar um movimento de ataque naquele instante.

O delegado também destacou que havia outros agentes armados na ocorrência e questionou a ausência de tentativas de contenção com meios menos letais. Diante desses elementos, a autoridade policial não reconheceu, naquele primeiro momento, a legítima defesa como justificativa para o disparo e determinou a prisão em flagrante do PM por homicídio.

A análise registrada no boletim é preliminar e não representa uma decisão definitiva sobre a responsabilidade criminal do policial. A investigação deverá esclarecer a dinâmica do confronto e as circunstâncias em que o tiro foi disparado.

Familiares ouvidos pela polícia relataram que Camila enfrentava problemas graves de saúde e aguardava um transplante de fígado. Uma tia afirmou desconhecer se ela tinha diagnóstico psiquiátrico. A mulher deixou duas filhas pequenas.

A concessão da liberdade provisória não encerra a investigação nem equivale a uma absolvição. As condições eventualmente impostas pela Justiça devem ser confirmadas na decisão judicial.

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