‘Cidade de Deus: A Luta Não Para’: elenco revela mudanças da 2ª temporada
A segunda temporada de Cidade de Deus: A Luta Não Para promete aprofundar os conflitos e as relações entre personagens já conhecidos pelo público. Na nova fase, questões como violência, abandono familiar, maternidade e protagonismo feminino ganham ainda mais espaço.
Em entrevista à Jovem Pan, Matheus Nachtergaele falou sobre o retorno de Cenoura, que, depois de cumprir sua pena, tenta se manter distante do universo do tráfico. Segundo o ator, a experiência na prisão fez o personagem perceber que existia uma possibilidade de escapar do ciclo de violência no qual esteve envolvido desde a infância.
“Quando você reencontra o Cenoura, ele está satisfeito em ter cumprido a pena e escapado do ciclo de violência onde ele sempre viveu desde menino. (…) A prisão ensinou o Cenoura que havia saída dali”, explicou.
Apesar de não desejar voltar à criminalidade, Cenoura acaba sendo chamado para interferir nos conflitos da comunidade. Mais experiente, ele assume uma posição de referência para os mais jovens, tentando estabelecer regras em meio ao caos.
“Ele não quer voltar para esse circo de violência que envolve o narcotráfico. Mas ele volta porque é o detentor de alguma ética. (…) Ele não volta pelo mecanismo da violência. Ele volta por amor, às pessoas que ele tem no coração. Tipo assim: ‘Vou lá resolver’. A volta dele é completamente diferente”, afirmou Nachtergaele.
Buscapé enfrenta perdas e decide mudar de vida
Alexandre Rodrigues, intérprete de Buscapé, também comentou as transformações do personagem na nova temporada. Segundo o ator, uma sequência de perdas emocionais, somada à relação com a filha, provoca uma mudança importante na trajetória do protagonista.
“Ele está envolto ali no sentimento de perda, tanto do melhor amigo, posso dizer, um irmão, quanto de uma amiga incrível que ia se tornar uma fé. Com essas duas mortes, duas perdas gigantes, com a fala da filha, ele viveu uma pressão emocional e falou: ‘Não, agora eu preciso mudar’”, explicou.
Apesar da decisão de mudar, Buscapé acaba revisitando caminhos que já fizeram parte de sua história. Alexandre destaca que o personagem cruza novamente uma linha que havia ultrapassado no passado.
“Ele volta às origens. Na verdade, ele cruza uma linha que já tinha cruzado antes. Ele vai e volta para outro lugar”, adiantou o ator.
Protagonismo feminino ganha força
A representação das mulheres na história também foi destaque na conversa. Luellem de Castro ressaltou que a série amplia o espaço feminino em relação ao filme original, no qual os personagens masculinos e a violência tinham maior protagonismo.
“Na série, na primeira temporada, a gente já vem ensinando que essas mulheres têm nome, que elas têm CPF, que são importantes nessa comunidade. E, na segunda, ensinando que elas lutam mesmo. E sem essas mulheres esses homens estão perdidos”, declarou.
A atriz também destacou que a produção apresenta diferentes perspectivas femininas, sem colocar todas as personagens em uma mesma posição.
“Cada uma pensa de uma forma, cada uma luta de uma forma, cada uma tem um nível de raiva, cada uma se coloca de uma forma. É diversidade”, explicou.
Outro ponto importante é a relação entre Leka e Busca-Pé. Para Luellem, mostrar a possibilidade de reconciliação entre pai e filha representa uma abordagem especialmente significativa dentro de uma narrativa marcada pelo abandono e pela violência.
“Eu acho que ela descansa. E acho isso muito bonito de contar, porque mulher preta favelada não descansa”, afirmou. A atriz ainda destacou a importância de mostrar um pai que consegue reconhecer a ausência e retomar o vínculo com a filha.
Sabrina Rosa destaca desafios da maternidade
Sabrina Rosa também comentou os conflitos de Cindy, especialmente diante das escolhas do filho. A atriz contou que sua experiência como mãe ajudou a compreender o desespero de uma mulher que acompanha os caminhos do filho, mesmo quando não concorda com suas decisões.
“Às vezes a gente vê o filho de longe e fala assim: ‘Cara, que escolha que ele está tomando, né?’. Eu vou tentar ajudar e, às vezes, não ajuda, às vezes atrapalha, porque você não deixa o filho tomar o caminho e bater realmente a cabeça na parede”, refletiu.
Para Sabrina, o desafio foi encontrar o equilíbrio entre acessar emoções tão intensas e conseguir se desligar delas depois das gravações.
“Como eu sou mãe, foi fácil chegar naquele movimento emocional, mas, ao mesmo tempo, tem que ter a técnica. (…) Talvez o desafio seja mais o controle da emoção mesmo, e deixar ela sair um pouquinho mais rápido do nosso corpo”, concluiu.
Com conflitos familiares, relações reconstruídas e personagens que tentam escapar de ciclos de violência, a segunda temporada de Cidade de Deus: A Luta Não Para amplia o olhar sobre a comunidade e mostra que, por trás das disputas, existem histórias de afeto, resistência e transformação e chega na HBO Max dia 8 de novembro.
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