JOVEM PAN

Jovem Pan
TV Ao Vivo
Equador x Guatemala | 16h30 - 19h00
Mundo

Irã ataca bases dos EUA no Kuwait e Bahrein após bombardeios em seu território

Teerã disparou mísseis e drones contra a base aérea de Ali al-Salem e o quartel-general da Quinta Frota naval americana no Porto Salman

AFP

Uma coluna de fumaça e um fragmento de concreto se elevam do local de um ataque aéreo israelense nos arredores orientais de Tiro, no sul do Líbano, em 24 de março de 2026. O Líbano foi arrastado para a guerra no Oriente Médio quando o Hezbollah, apoiado pelo Irã, começou a disparar foguetes contra Israel em 2 de março para vingar o assassinato do líder supremo do Irã. Desde então, Israel lançou ataques em todo o Líbano, matando pelo menos 1.039 pessoas e deslocando mais de um milhão, além de enviar tropas terrestres para o sul do país.
Irã ataca bases dos EUA no Kuwait e Bahrein após bombardeios em seu território DIMITAR DILKOFF / AFP

O Irã bombardeou o Kuwait e o Bahrein, neste domingo (28), em resposta aos ataques dos Estados Unidos contra seu território no sábado (27), uma retomada das tensões que põe em risco as negociações para o fim da guerra no Oriente Médio.

Os dois países se acusam mutuamente de violar o cessar-fogo, acordado em um memorando de entendimento assinado em 17 de junho, referente ao controle do estratégico Estreito de Ormuz, que o Irã bloqueou durante a guerra que lhe foi declarada por Israel e Estados Unidos em 28 de fevereiro.

O estreito foi reaberto em 17 de junho, mas o Irã autoriza apenas o uso de um corredor de passagem ao longo de sua costa e ameaça atacar qualquer navio que não cumpra essa condição.

No sábado, a Força Aérea dos EUA atacou dez alvos, incluindo “instalações de defesa aérea, depósitos de drones e infraestrutura para instalação de minas”, informou o Comando Central dos EUA (Centcom), em resposta a um ataque de drone iraniano contra um petroleiro de bandeira panamenha que passava pelo estreito.

A mídia iraniana noticiou diversas explosões nas regiões sul de Sirik e Qeshm.

Na manhã deste domingo, a Guarda Revolucionária, o exército ideológico da República Islâmica, reivindicou o lançamento de mísseis e drones contra o Kuwait e o Bahrein em retaliação.

Segundo a Guarda, eles destruíram “oito importantes instalações de infraestrutura militar dos EUA na base aérea Ali al-Salem, no Kuwait, e na base naval da Quinta Frota, no Porto Salman, no Bahrein”.

O Ministério das Relações Exteriores do Irã condenou “energicamente” os ataques “contra diversas instalações de monitoramento e vigilância na costa sul” e expressou a “determinação” de Teerã “em defender a soberania nacional do país”.

O Kuwait denunciou “a repetição da cruel agressão iraniana” e afirmou que isso “compromete” os esforços para pôr fim à guerra no Oriente Médio.

No Bahrein, onde as sirenes de alerta soaram duas vezes durante a noite, o exército indicou que “interceptou e destruiu diversos projéteis usados nesses ataques traiçoeiros iranianos”.

Os Estados Unidos já haviam bombardeado o Irã na sexta-feira pela primeira vez desde a assinatura do protocolo do acordo, que deu início a um período de negociação de 60 dias com o objetivo de alcançar uma paz duradoura.

Segundo o exército americano, esse bombardeio também foi consequência de outro ataque contra um navio mercante que navegava pelo estreito.

‘Mais firmeza’

A Guarda Revolucionária enfatizou neste domingo que “medidas foram tomadas” para controlar o tráfego no estreito. “De agora em diante, embarcações infratoras serão tratadas com mais firmeza”, alertaram.

Antes da guerra, 20% dos hidrocarbonetos do mundo passavam pelo Estreito de Ormuz.

O Irã “violou, MAIS UMA VEZ, o acordo de cessar-fogo”, denunciou o presidente americano, Donald Trump, no sábado em sua plataforma Truth Social.

“É muito provável (…) que um dia (…) sejamos forçados a concluir, pela força militar, a missão que iniciamos com tanto sucesso. Se isso acontecer, a República Islâmica do Irã deixará de existir”, acrescentou.

Enquanto isso, o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, chegou a Bagdá neste domingo, onde alertou que questionar o controle do estreito por Teerã só “aumentará as tensões” na região e causará “atrasos” em sua reabertura.

“Exorto todas as partes a não interferirem na gestão do estreito (…) e a não deixarem que o memorando de entendimento seja prejudicado”, acrescentou. Ele também pediu a criação de um marco de segurança com os países do Golfo.

Ataques no Líbano

Na outra frente da guerra, no Líbano, Israel continuou bombardeando o sul, apesar de um acordo preliminar assinado na sexta-feira (26) em Washington por ambos os países com o objetivo de estabelecer uma “paz duradoura”.

A agência de notícias estatal libanesa NNA noticiou um novo bombardeio no sul neste domingo, um dia depois de outros ataques israelenses terem deixado um morto, segundo o Ministério da Saúde libanês.

O líder do movimento pró-Irã Hezbollah, Naim Qasem, denunciou o acordo preliminar como um “grave erro”, chamando-o de “humilhante e vergonhoso”, e acusou as autoridades libanesas de “legitimarem [com ele] a continuação da ocupação israelense”.

Hassan Fadlallah, deputado pelo partido xiita, declarou neste domingo que o acordo preliminar assinado na sexta-feira por Líbano e Israel sob os auspícios dos Estados Unidos “não será implementado”, e alertou para o risco de um “conflito interno”.

No entanto, o presidente libanês, Joseph Aoun, conversou com Donald Trump no sábado e garantiu-lhe que o Estado libanês “assumiria suas responsabilidades” na implementação do acordo, que condiciona a retirada israelense do país ao desarmamento do Hezbollah.

O Líbano foi arrastado para o conflito no início de março, quando o Hezbollah atacou Israel em apoio ao Irã.