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Política

Flávio diz ao governo Trump que nova tarifa daria ‘vitória política’ para Lula

Segundo o pré-candidato à Presidência, essa estratégia recompensaria o atual governo do presidente Lula (PT)

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Senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) durante lançamento da pré-candidatura de Guilherme Derrite ao Senado
Flávio afirma que o governo protela negociações sérias e provoca Washington para gerar retaliações CEZAR RIBEIRO/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) enviou uma manifestação para o escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), pedindo que o governo americano de Donald Trump não imponha mais taxas a produtos brasileiros.

Segundo o pré-candidato à Presidência, essa estratégia recompensaria o atual governo do presidente Lula (PT).

Flávio afirma que o governo protela negociações sérias, provoca Washington para gerar retaliações e converte a resposta em vitória política interna. “Em outras palavras: as tarifas propostas dariam ao atual governo brasileiro exatamente a vitória política que ele vem buscando, ao mesmo tempo em que puniriam a economia americana e os próprios brasileiros que buscam uma relação mutuamente benéfica com os Estados Unidos”, disse o senador.

Flávio também afirma que os EUA e o Brasil foram “parceiros de primeira ordem” e que somente no governo Lula os países se afastaram.

O senador inscreveu-se no último dia do prazo (22 de junho) para falar presencialmente na audiência pública do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) sobre a investigação da Seção 301.

Ele lembra que, em carta enviada pelo secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, a audiência com o representante de Comércio dos EUA, Jamieson Greer, é o canal institucional legítimo para discutir o tema. Segundo Flávio, Lula se recusou a seguir esse caminho para defender as empresas braileiras e o Brasil.

A audiência está marcada para 6 de julho de 2026 em Washington. Flávio pediu os cinco minutos padrão para testemunhas e confirmou comparecimento presencial. Ele atuará em sua capacidade pessoal e oficial como senador federal e membro da oposição.

Reunião entre governo Lula e administração Trump

Apesar da fala de Flávio, o governo Lula se reuniu nesta manhã com o representante de comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer, após o acordo entre o presidente brasileiro e Donald Trump, de 7 de maio, de encontrar solução para negociar o comércio bilateral.

Em meio à chance de uma nova tarifa de 25% nos produtos brasileiros, o ministro Márcio Elias Rosa – do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) – informou, em nota, que a reunião de hoje já estava programada. “Mantive minha quarta reunião de alto nível com o Representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer. As reuniões anteriores aconteceram nos dias 19 e 28 de maio e 13 de junho e foram intercaladas de outros encontros no nível técnico”, esclareceu.

Seção 301

A USTR concluiu, em 1º de junho de 2026, uma investigação iniciada em julho de 2025 (por iniciativa associada à família Bolsonaro, segundo o governo Lula). O relatório identifica práticas brasileiras consideradas “desleais” ou discriminatórias, entre elas:

• Digital trade e serviços de pagamento eletrônico (defesa do Pix como sistema instantâneo).
• Tarifas preferenciais injustas.
• Aplicação de leis anticorrupção.
• Proteção de propriedade intelectual.
• Acesso ao mercado de etanol.
• Desmatamento ilegal.

Como ação proposta, o USTR recomenda tarifas de 25% sobre a maioria dos bens brasileiros, com algumas exceções (ex.: certos produtos agrícolas ou energéticos). A decisão final cabe ao presidente Donald Trump. O período de comentários públicos vai até 1º de julho, com a audiência em 6 de julho.

Nos documentos enviados ao USTR (Dockets USTR-2026-0397 para inscrição e USTR-2026-0331 para comentários escritos), Flávio Bolsonaro argumenta que:

• As tarifas não atingem o objetivo da Seção 301 (“eliminação da prática”), mas prejudicam exportadores brasileiros, importadores americanos, consumidores dos EUA e a oposição brasileira.
• Propõe suspensão da medida e abertura imediata de mecanismo bilateral de negociação com agenda e calendário definidos, preservando a alavancagem americana.
• Vai responder ponto a ponto aos seis achados da investigação, reconhecendo problemas, contestando outros e apontando caminhos de remediação que um eventual governo reformista brasileiro poderia oferecer.
• Defende a restauração de uma parceria histórica entre “soberanos iguais” nos moldes recentemente endossados pelos EUA na região.9

Ele já havia enviado carta ao secretário de Estado Marco Rubio e se reunido pessoalmente com Trump, Vance e Rubio durante viagem a Washington em maio de 2026, discutindo temas como crime organizado, minerais críticos e relações bilaterais.