Polícia apura lista que separou alunas de colégio do Rio em categorias sexuais
A Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro (PCERJ), por meio da Delegacia da Criança e do Adolescente Vítima (DCAV) investiga uma lista feita por estudantes do Colégio Cruzeiro, em Jacarepaguá, no Rio de Janeiro, para separar as alunas da instituição em categorias sexuais. A informação foi noticiada pela TV Globo e confirmada pela Jovem Pan.
A lista foi criada em uma plataforma on-line no formato “tier list”, em que temas são divididos em categorias pré-estabelecidas. As estudantes foram separas em:
- “GOAT” (“melhor de todos os tempos”, em tradução livre);
- “Comeria no lucro”;
- “Bêbado vai”;
- “Me arrependi depois”;
- “Nem olharia”.
Em entrevista a Globonews, a delegada Maria Luisa Machado, da DCAV, informou que ao menos 65 alunas da instituição de ensino serão ouvidas pela polícia. Já o diretor do colégio prestou depoimento nesta quarta-feira (8).
Machado disse também que a lista foi criada de forma anônima, o que dificulta a identificação dos responsáveis. A expectativa é de que os depoimentos ajudem a esclarecer quem produziu e divulgou o conteúdo.
Os investigados pelo episódio são todos menores de idades. Eles responderão por crimes análogos a injúria, difamação e submissão de adolescente a vexame e constrangimento.
Por meio de nota, o Colégio Cruzeiro disse repudiar “qualquer atitude de exposição” que afete “o bem-estar e a segurança” de seus estudantes. A instituição de ensino declarou que, ao tomar conhecimento dos fatos, “acionou as autoridades por meio de boletim de ocorrência” e solicitou a remoção do conteúdo à plataforma.
Leia a íntegra da nota do Colégio Cruzeiro
“O bem-estar e a segurança de nossos alunos são prioridades absolutas no Colégio Cruzeiro e repudiamos qualquer atitude de exposição que os afetem. Assim que tomamos conhecimento dos fatos, acionamos as autoridades por meio de boletim de ocorrência, exigimos a remoção do conteúdo junto à plataforma — o que já foi feito —, alertamos as famílias e iniciamos o apoio integral às alunas e suas famílias”.
“Entendemos que o papel da escola vai além do ensino acadêmico, incluindo a formação integral do ser humano. A conduta ética e a responsabilidade digital são temas recorrentes da sociedade contemporânea. Por isso, oferecemos constantemente a nossos três mil alunos, campanhas de conscientização com palestras de juízes, psicólogos, especialistas em tecnologia, delegados, entre outros”.
“Nossa postura reflete a tradição e os valores de uma instituição que, ao longo de seus 164 anos, formou gerações pautadas pelo respeito e pelo desenvolvimento humano integral. Com base nos princípios e valores educacionais, a escola permanece atenta às medidas pedagógicas que lhe cabem para o zelo e preservação do ambiente formativo”.
“Quanto à autoria e punição, no âmbito penal, salientamos que as autoridades competentes estão cumprindo o seu papel investigativo”.
Com informações de Estadão Conteúdo