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Bruno Pinheiro

Rosto de Bolsonaro gravado a laser: a história por trás da última arma apreendida pela PF

Segundo apurou a Jovem Pan, a proposta de doação nasceu em 21 de agosto de 2021, durante uma feira do setor armamentista

Bruno Pinheiro

Eduardo Bolsonaro com espingarda apreendida pela PF
Eduardo Bolsonaro com espingarda apreendida pela PF Obtido pela Jovem Pan

Uma espingarda com a imagem a laser de Jair Bolsonaro gravada no carregador. Foi esse o presente que uma empresa de armamentos do Rio Grande do Sul ofereceu ao ex-presidente ainda em 2021, e que acabou virando, cinco anos depois, a peça final de uma operação da Polícia Federal. A Jovem Pan apurou os detalhes exclusivos de como essa arma percorreu um caminho que passou por uma feira do setor, por um trâmite de registro nunca concluído e por uma condenação que impediu Bolsonaro de sequer retirar o equipamento das mãos de quem o doou.

A PF apreendeu nesta quinta-feira (9) a última arma que ainda constava em nome do ex-presidente, encerrando a ação deflagrada na quarta-feira (8) para busca e apreensão de itens ligados a Bolsonaro. Tratava-se de uma espingarda semiautomática calibre 12, modelo Maestro Arms Company, em plataforma AR, mantida sob guarda de uma empresa de armamentos gaúcha. A defesa já havia informado ao Supremo Tribunal Federal que a arma estava com a empresa, mas não apresentou a localização exata nem a documentação que comprovasse a informação. Coube à Polícia Federal reconstituir o percurso do item, e o que se descobriu surpreende pela origem.

Segundo apurou a Jovem Pan, a proposta de doação nasceu em 21 de agosto de 2021, durante uma feira do setor armamentista. Foi Eduardo Bolsonaro quem recebeu, em nome do pai, o interesse da empresa em presentear o então presidente com o equipamento, na época ainda liberado para uso civil. A restrição ao modelo só viria em 2023. No mesmo encontro, os detalhes da doação foram alinhados, incluindo o trâmite para o registro em nome de Jair Bolsonaro. Fontes ligadas à investigação relatam que o equipamento chegou a ser preparado para uma apresentação formal, ainda em fase de checagem sobre a viabilidade jurídica da doação.

O problema veio depois. Concluído o registro, Bolsonaro já enfrentava impedimentos jurídicos que o impediam de retirar pessoalmente a arma. Sem a guia de trânsito necessária para transportar o equipamento, ele nunca chegou a buscar o presente. A espingarda ficou esquecida no Rio Grande do Sul.

Com a manutenção da prisão domiciliar de Bolsonaro, o ministro Alexandre de Moraes determinou a apreensão de todas as armas registradas em nome do ex-presidente, e a espingarda gaúcha passou a ser tratada como item perdido. Nesta quarta-feira (8), já com a operação em andamento, um representante da empresa doadora procurou a PF por conta própria, avisando que estava com o equipamento mas sem a guia de transporte para levá-lo à delegacia. A Jovem Pan apurou que um delegado foi até o endereço, em Cachoeirinha (RS), buscar a arma pessoalmente, sem necessidade de varredura no local.