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Rubio culpa ego de Lula por novas tarifas: ‘Não negociou de boa-fé’

Secretário de Estado dos EUA afirmou que governo brasileiro deixou de buscar um acordo para evitar a medida; taxa de 25% entra em vigor em 22 de julho

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Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, gesticula enquanto fala durante uma coletiva de imprensa de fim de ano na Sala de Imprensa do Departamento de Estado, em Washington
Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio MANDEL NGAN / AFP

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, atribuiu nesta quarta-feira (15) ao presidente Lula (PT) a falta de um acordo para evitar as novas tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros. Segundo Rubio, o governo brasileiro não negociou “de boa-fé” e colocou “o próprio ego” à frente das negociações.

“Lula colocou seu próprio ego à frente de fazer um acordo pelo bem-estar do povo brasileiro, e estas tarifas são o preço por isso”, escreveu Rubio nas redes sociais.

A declaração foi feita após o governo Trump anunciar uma tarifa adicional de 25% sobre parte das importações brasileiras. A medida entra em vigor em 22 de julho e é resultado de uma investigação conduzida ao longo de um ano pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR).

Segundo um funcionário de alto escalão do governo americano, a investigação concluiu que determinadas práticas comerciais adotadas pelo Brasil representam restrições ao comércio dos EUA. Em nota, o representante de Comércio dos EUA, Jamieson Greer, afirmou que “as práticas comerciais desleais do Brasil impediram que trabalhadores e produtores americanos tivessem acesso a este importante mercado”.

Greer afirmou, no entanto, que Washington continua disposto a negociar com o Brasil. “Seguimos abertos a prosseguir com as negociações com o Brasil para alcançar as mudanças necessárias”, declarou.

A tarifa de 25% não será aplicada a todos os produtos brasileiros. Entre os itens que ficarão de fora estão carne bovina, café, algumas peças de aeronaves e outros bens que não são produzidos nos Estados Unidos.

Reação do governo brasileiro

O governo brasileiro repudiou a decisão e disse que não reconhece a legitimidade da investigação conduzida pelo USTR por considerar que ela não tem amparo nas regras multilaterais de comércio.

Em nota divulgada por Lula nas redes sociais, o Palácio do Planalto disse que “não há justificativa para medidas unilaterais contra o nosso país”. O governo também destacou que, segundo dados da própria administração americana, os Estados Unidos acumularam um superávit de US$ 424,5 bilhões no comércio de bens e serviços com o Brasil nos últimos 15 anos.

O Executivo informou ainda que iniciará os procedimentos previstos na Lei de Reciprocidade Econômica, aprovada pelo Congresso Nacional em abril do ano passado, e que voltará a discutir o tema no mecanismo de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio (OMC).

Motivos apontados pelos EUA

De acordo com o governo americano, a investigação do USTR concluiu que determinadas práticas brasileiras são “desarrazoadas ou discriminatórias” e representam um obstáculo ao comércio entre os dois países.

Entre os pontos citados por Washington estão questões relacionadas ao comércio digital, ao ambiente regulatório brasileiro e ao sistema de pagamentos instantâneos Pix, que os Estados Unidos apontam como um fator de concorrência considerada desleal em determinados setores.

O governo Trump também afirma buscar um tratamento tarifário semelhante ao concedido pelo Brasil a parceiros comerciais, como México e Índia. Autoridades americanas disseram que uma eventual resposta do governo brasileiro poderá resultar em novas contramedidas.

Reformulação no governo Trump

A nova tarifa foi anunciada em meio à reformulação da política comercial do governo Trump, após decisões da Suprema Corte dos Estados Unidos que limitaram parte das tarifas globais adotadas pela administração americana.

O governo dos Estados Unidos também rejeitou críticas de que a investigação contra o Brasil tenha motivação política ou represente apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

No início deste mês, durante uma audiência pública promovida pelo USTR em Washington, o senador Flávio Bolsonaro defendeu que os Estados Unidos não aplicassem novas tarifas sobre produtos brasileiros, argumentando que a medida poderia favorecer politicamente o governo Lula nas eleições presidenciais de outubro.

*Com informações da AFP