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Eliseu Caetano

Flávio vence em grandes redutos nos EUA e abstenção vira desafio no 2º turno

Candidato do PL chegou a 78,72% em Orlando, enquanto Lula terminou à frente no conjunto do eleitorado brasileiro no exterior

Eliseu Caetano

Flávio Bolsonaro
A abstenção cresceu em todos os postos consulares americanos na comparação apresentada após a eleição. VINICIUS NUNES/AGÊNCIA F8/ESTADÃO CONTEÚDO

Flávio Bolsonaro (PL) venceu em Boston, Miami, Orlando e Nova York no primeiro turno da eleição presidencial entre brasileiros que votam nos Estados Unidos. Os resultados mostram uma vantagem expressiva do candidato do PL em importantes comunidades brasileiras no país, mas revelam também um segundo dado que pode ganhar relevância no segundo turno: a elevada abstenção.

Com os resultados de dez jurisdições americanas concluídos, Flávio Bolsonaro registrava 60,7% dos votos, contra 29,7% de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Lula havia vencido apenas em Washington, com 51,4%, e Chicago, com 55,12%, entre as jurisdições já divulgadas naquele momento.

Entre os melhores desempenhos de Flávio Bolsonaro aparecem justamente três localidades com forte presença brasileira: Orlando, onde alcançou 78,72% dos votos válidos; Miami, com 74,2%; e Boston, com 69,7%. A mesma apuração registra vitória do candidato do PL também em Nova York.

Boston e Miami são, respectivamente, o primeiro e o segundo maiores colégios eleitorais brasileiros nos Estados Unidos. Nova York aparece em terceiro lugar e Orlando em quarto. Os dados de eleitorado indicam 53.358 aptos em Boston, 40.053 em Miami, cerca de 39 mil em Nova York e 26.386 em Orlando.

Abstenção chama atenção

Mas a votação dos candidatos é apenas uma parte dos números.

A abstenção cresceu em todos os postos consulares americanos na comparação apresentada após a eleição. Em Boston, por exemplo, quase 70% dos eleitores aptos não compareceram às urnas, percentual superior aos 63,7% registrados em 2022.

O fenômeno é relevante porque os Estados Unidos concentram o maior contingente de eleitores brasileiros fora do país. Dados divulgados pelo TSE antes da votação apontavam aproximadamente 265,4 mil brasileiros aptos a votar nos EUA em 2026, crescimento de cerca de 45% em relação a 2022.

Isso significa que, apesar da vantagem obtida por Flávio Bolsonaro entre os eleitores que efetivamente compareceram às urnas em boa parte das jurisdições americanas, uma parcela expressiva do eleitorado registrado nos Estados Unidos simplesmente não participou do primeiro turno.

E esse universo passa a ser um componente importante da disputa entre Flávio Bolsonaro e Lula no segundo turno.

Para Flávio, o desafio será transformar a vantagem demonstrada entre os que votaram em maior comparecimento. Para Lula, além de buscar votos entre eleitores que escolheram outros candidatos, existe também a possibilidade de tentar mobilizar brasileiros que se abstiveram no primeiro turno.

Ou seja: a batalha nos Estados Unidos não será apenas pelos votos que já apareceram nas urnas, mas também pelos que ficaram fora delas.

O cenário americano acompanha um problema observado no exterior como um todo. No consolidado final mostrado pelo sistema do TSE, dos 916.534 eleitores aptos nas seções totalizadas, 341.766 compareceram e 574.345 não votaram – uma abstenção de 62,69%.

Apesar da força de Flávio Bolsonaro nos Estados Unidos, o resultado global do exterior foi diferente. Com 100% das 1.351 seções totalizadas no painel mostrado pelo TSE, Lula terminou com 157.387 votos, ou 47,57%, contra 143.900 votos, ou 43,49%, de Flávio Bolsonaro.

Os números deixam, portanto, dois retratos distintos: Flávio Bolsonaro demonstrou forte vantagem entre os brasileiros que foram às urnas nos Estados Unidos, inclusive em Boston, Miami, Orlando e Nova York; Lula, por sua vez, venceu no conjunto do eleitorado do exterior.

Para o segundo turno, porém, existe uma incógnita comum às duas campanhas: quantos dos milhares de brasileiros que poderiam ter votado nos Estados Unidos, mas não compareceram no primeiro turno, irão às urnas na votação decisiva?

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