JOVEM PAN

Jovem Pan
TV Ao Vivo
Morning Show | 10h00 - 12h00
Brasil

Apenas sete estados tiveram alta nas mortes violentas em 2025, diz Anuário

Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), o Brasil registrou no ano passado a menor taxa de Mortes Violentas Intencionais desde 2012

Nícolas Robert

violência
Apenas sete estados tiveram alta nas mortes violentas em 2025 Divulgação / Unsplash

O Brasil registrou, em 2025, o menor índice de Mortes Violentas Intencionais (MVI) desde o início da série histórica do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), iniciada em 2012. Apesar da redução, apenas sete estados foram na contramão e apresentaram aumento desse tipo de crime em relação a 2024. Os dados constam no 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado nesta quinta-feira (23).

As Mortes Violentas Intencionais reúnem homicídios dolosos, feminicídios, latrocínios, lesões corporais seguidas de morte e mortes decorrentes de intervenção policial.

Em 2025, foram registrados 40.775 mortes violentas, o equivalente a uma taxa de 19,1 mortes por 100 mil habitantesqueda de 8,2% na comparação com 2024 e de 31% em relação a 2012. Pela primeira vez, o indicador ficou abaixo da marca de 20 mortes por 100 mil habitantes.

A redução foi impulsionada principalmente pela queda dos homicídios dolosos, que recuaram 10% em um ano e fizeram o país antecipar em dois anos a meta prevista pela Política Nacional de Segurança Pública e Defesa Social, que estabelecia taxa de até 16 homicídios por 100 mil habitantes até 2027. Também caíram os registros de latrocínio (-17%) e de lesão corporal seguida de morte (-15,2%).

Apesar do cenário positivo no país, o levantamento mostra que sete estados registraram crescimento das MVI em 2025. São eles:

  1. Rio Grande Norte: +19,6%;
  2. Rondônia: +7,5%;
  3. Acre: +6,3%;
  4. Roraima: +5,8%;
  5. Distrito Federal: +5,8%;
  6. Mato Grosso do Sul: +4,9%;
  7. Rio de Janeiro: +2,1%.

O que explica essa alta

No Rio Grande do Norte, o crescimento foi puxado principalmente pelo aumento dos homicídios dolosos, que passaram de 655 vítimas em 2024 para 843 em 2025. Ainda assim, o estado manteve uma taxa inferior às registradas entre 2013 e 2023, o que indica que a alta interrompeu apenas parcialmente a tendência de queda observada nos últimos anos.

Já em Rondônia e no Rio de Janeiro, a principal influência veio das mortes decorrentes de intervenção policial. No estado do Norte, os registros desse tipo saltaram de oito para 47 em apenas um ano.

“O caso de Rondônia é emblemático pois, nesta Unidade da Federação, as MDIP equivalem a 9,5% de todas as MVI e, mesmo assim, tiveram a capacidade de influenciar a tendência geral. E não à toa, já que, em 2024, tinham sido registradas oito ocorrências de mortes por intervenção policial em Rondônia. Em 2025, esse número salta para 47 casos”Anuário Brasileiro de Segurança Pública

No Rio de Janeiro, as mortes provocadas por policiais passaram a representar 20,5% de todas as MVI registradas no estado. O levantamento destaca que cerca de 117 dessas mortes ocorreram em um único dia de outubro de 2025 (dia 28), durante a Operação Contenção, realizada nos complexos do Alemão e da Penha, que terminou com 122 mortos, incluindo cinco agentes de segurança.

Números das regiões reduziram

Embora apenas sete estados tenham registrado aumento, todas as cinco regiões brasileiras reduziram o número de mortes violentas entre 2024 e 2025. Ainda assim, o Nordeste continua concentrando a maior taxa do Brasil.

O Nordeste liderou o ranking regional, com 31,6 mortes por 100 mil habitantes, seguido pelo Norte, com 25,3. Na outra ponta, Sudeste (12,6) e Sul (11,9) apresentaram os menores índices. Veja a lista por região:

  1. Nordeste: 31,6 mortes por 100 mil habitantes;
  2. Norte: 25,3 mortes por 100 mil habitantes;
  3. Centro-Oeste: 17,3 mortes por 100 mil habitantes;
  4. Sudeste: 12,6 mortes por 100 mil habitantes;
  5. Sul: 11,9 mortes por 100 mil habitantes.

O levantamento citou também que, entre 2012 e 2025, o Centro-Oeste e o Sul registraram as maiores reduções proporcionais das taxas, enquanto o Nordeste apresentou a menor queda no período (-17,1%).

Letalidade policial e feminicídios seguem em alta

Embora o número total de mortes violentas tenha atingido o menor patamar da série histórica, duas categorias continuaram crescendo: os feminicídios e as mortes decorrentes de intervenção policial.

No ano passado, o país contabilizou 1.571 vítimas de feminicídio, alta de 4% em relação ao ano anterior. Já as mortes provocadas por policiais chegaram a 6.602, crescimento de 5,4%. Com isso, 16,2% de todas as Mortes Violentas Intencionais no Brasil tiveram autoria de agentes de segurança, o equivalente a uma em cada seis mortes violentas registradas no país.