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Política

Maioria do PP defende neutralidade e Ciro Nogueira deve rejeitar aliança com Flávio

Apuração da Jovem Pan aponta que mais de 90% da cúpula do partido apoia ficar fora da disputa presidencial; reunião entre os dois está mantida

Cassius Zeilmann

Maioria do PP defende neutralidade e Ciro Nogueira deve rejeitar aliança com Flávio
Senador Flávio Bolsonaro Reprodução/Youtube/FlávioBolsonaro

A reunião entre o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o presidente do PP, Ciro Nogueira (PP-PI), prevista para esta quarta-feira (22), não deve resultar em uma aliança entre os dois partidos. A avaliação predominante dentro da cúpula do PP é de que a federação PP-União deve permanecer neutra na disputa pelo Palácio do Planalto.

Segundo relatos feitos à Jovem Pan por integrantes da direção do partido, mais de 90% dos diretórios estaduais já se manifestaram a favor da neutralidade. Embora a decisão formal caiba a Ciro Nogueira, a expectativa é de que ele siga o entendimento majoritário da legenda e recuse a proposta apresentada por Flávio.

A aproximação entre os dois voltou à mesa após o senador telefonar para Ciro e solicitar um encontro presencial para discutir uma possível composição eleitoral. Pelo lado do PL, a reunião era tratada como a última tentativa de atrair o PP, inclusive com a disposição de fazer concessões para viabilizar o acordo.

Apesar disso, dirigentes do PP afirmam que a estratégia da federação para 2026 está concentrada em fortalecer sua bancada na Câmara dos Deputados. O objetivo é eleger 120 deputados federais, ampliando o peso político da legenda e garantindo uma fatia maior do fundo eleitoral.

Esse planejamento é apontado internamente como o principal motivo para a resistência em apoiar um candidato ao Planalto. A avaliação é que a neutralidade oferece melhores condições para a disputa proporcional nos estados.

Nos bastidores, interlocutores do PP também afirmam que eventuais desgastes pessoais entre Flávio e Ciro ficaram para trás. Segundo eles, o telefonema do senador e a disposição do presidente do partido em recebê-lo demonstram que o episódio foi superado e que o diálogo político foi restabelecido.

Mesmo com esse ambiente mais favorável à conversa, integrantes da legenda avaliam que o encontro deve ter caráter institucional e dificilmente alterará a posição construída pela maioria da direção nacional e dos diretórios estaduais em defesa da neutralidade.