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Bruno Pinheiro

Abin não pode interferir em nada, diz Moraes

Relator relembrou em seu voto a sustentação da defesa de Alexandre Ramagem sobre o papel da Agência Brasileira de Inteligência, que, segundo o advogado, seria fiscalizar as urnas eletrônicas

Bruno Pinheiro

Alexandre de Moraes
54411699538_8d4f451d68_k Rosinei Coutinho/STF

O ministro relator Alexandre de Moraes foi o primeiro a votar nesta quarta-feira no julgamento que analisa acatar ou não a denúncia contra Jair Bolsonaro e outros sete denunciados. Moraes relembrou em seu voto a sustentação da defesa de Alexandre Ramagem sobre o papel da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), que, segundo o advogado, seria fiscalizar as urnas eletrônicas. Moraes destacou que isso não é função da agência e reforçou: “A Abin não pode interferir em nada”.

Na terça-feira (25), a ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), contestou a defesa do deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ), afirmando que “as urnas pertencem a outro Poder” e não à Agência Brasileira de Inteligência (Abin), que foi liderada pelo parlamentar. Esse comentário ocorreu durante uma sessão do STF que avalia a possibilidade de aceitação da denúncia contra Ramagem, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e mais seis indivíduos, relacionada a uma tentativa de golpe após as eleições de 2022. A ministra, que também preside o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), questionou: “Vossa Excelência afirmou que é dever da Abin investigar a segurança e a fiscalização das urnas no processo eleitoral?”.

Em resposta, o advogado Paulo Renato Garcia Cintra Pinto argumentou que essa atribuição está “ligada às funções institucionais da Abin, que tem o compromisso de proteger a segurança do processo eleitoral, uma questão de soberania do Estado”. Cármen Lúcia então reiterou: “Vossa Excelência mencionou as urnas [como função da Abin], mas as urnas pertencem a outro Poder. Apenas para confirmar o que anotei sobre o que os senhores advogados disseram”.

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Sobre o assunto das urnas, a defesa alegou que “Ramagem realizou procedimentos para verificar o uso de um programa [de monitoramento das urnas], mas não apenas não possibilitou seu uso, como também foi crítico em relação à regularidade desse uso perante a ABIN”. O deputado, que foi presidente da Abin durante o governo Bolsonaro, foi denunciado como parte de um “núcleo crucial”, acusado de integrar uma organização criminosa que planejou um golpe de Estado no contexto das últimas eleições presidenciais.

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