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Ortega propõe ampliar para 7 anos o próprio mandato presidencial na Nicarágua

Por meio da reforma constitucional, o líder nicaraguense também busca excluir a oposição das eleições

AFP

O presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, é fotografado durante a cúpula do bloco da Aliança Bolivariana para os Povos da Nossa América (ALBA) em Caracas, em 24 de abril de 2024.
Daniel Ortega está no poder da Nicarágua há quase 20 anos JUAN BARRETO / AFP

A reforma constitucional que busca excluir a oposição das eleições na Nicarágua também propõe estender o mandato presidencial de seis para sete anos, anunciou a Assembleia Legislativa nesta terça-feira (28), após receber o projeto de lei do presidente Daniel Ortega.

A Assembleia, controlada pelo governo, planeja aprovar as leis solicitadas por Ortega no início de setembro para impedir que “traidores” e “golpistas” a serviço dos Estados Unidos — termos que ele frequentemente usa para se referir a seus adversários — participem das eleições.

“Nosso sistema de Estado e governo do povo presidente propõe-se a ser estruturado com um mandato efetivo de sete anos renováveis”, disse o presidente do Congresso, Gustavo Porras, ao ler a introdução da proposta.

O texto ainda não foi divulgado na íntegra.

A extensão do mandato “garante estabilidade na visão, nas operações e na continuidade, atendendo às necessidades urgentes com toda a energia e clareza”, acrescentou Porras.

A copresidente e esposa de Ortega, Rosario Murillo, explicou na segunda-feira (27) que o plano de reforma foi compartilhado com o corpo diplomático e que, antes de sua aprovação, também haverá “consultas” com vários setores da sociedade nicaraguense.

Em 2024, uma reforma na Constituição ampliou o mandato presidencial de cinco para seis anos e elevou Murillo, então vice-presidente, ao cargo de copresidente.

Além disso, adiou para novembro de 2027 as eleições que deveriam ser realizadas no fim deste ano.

Vários países e organizações internacionais rejeitam a intenção de Ortega — um ex-guerrilheiro de esquerda no poder há quase 20 anos — de excluir os partidos de oposição das eleições.

Os Estados Unidos advertiram que não ficarão “de braços cruzados” diante da “ditadura”, enquanto a União Europeia (UE) exortou o governo nicaraguense a convocar eleições “em conformidade com as normas internacionais”.

O presidente eleito da Colômbia, o direitista Abelardo de la Espriella, anunciou que romperá relações com a Nicarágua quando tomar posse, em 7 de agosto.

Por sua vez, a presidente do México, a esquerdista Claudia Sheinbaum, respondeu que “cada país tem sua autodeterminação e decide como se organiza”, quando foi questionada sobre o projeto de reforma na Nicarágua.

Ortega, de 80 anos, e sua esposa, Rosario Murillo, de 75, governam com poder absoluto e um forte controle sobre a sociedade, especialmente após os protestos de 2018, cuja repressão deixou mais de 300 mortos, segundo a ONU.

O casal presidencial considera essas manifestações uma “tentativa de golpe de Estado” patrocinada pelos Estados Unidos.

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