Inflação abaixo do esperado: é cedo para comemorar
O IPCA-15 de julho variou 0,06%, abaixo das expectativas (0,19%) e desacelerou em relação ao mês anterior (0,41%). Com o resultado, o indicador, considerado a prévia da inflação oficial do país (IPCA), acumula alta de 4,52% nos últimos 12 meses, próximo do teto da meta (4,5%).
Apesar do bom resultado de julho, é cedo ainda para comemorar o controle da inflação. Primeiro, porque o resultado deste mês decorreu basicamente de um fator pontual: a deflação dos alimentos. Porém, a queda de preços do grupo Alimentação não deve continuar para sempre. Pelo contrário, para os próximos meses o cenário não é animador por conta do fenômeno El Nino, que poderá prejudicar a agricultura, reduzindo a oferta de alimentos com impacto de alta nos preços.
Mas não é apenas a inflação de alimentos que traz preocupações. A política de crédito subsidiado do governo, fomentando o consumo e o investimento das empresas acima da capacidade de produção, tem provocado um aquecimento artificial da economia com impactos inflacionários. Não à toa, as expectativas inflacionárias continuam acima de 5% para 2026.
Além disso, há o risco geopolítico. Uma nova e provável escalada do preço do petróleo, em decorrência do conflito no Oriente Médio, trará evidentemente elevação no preço de produtos agrícolas e industriais.
Com todos esses fatores, o jogo da inflação está longe de estar ganho.