Caso Master: Iprev/Maceió aplicou R$ 97 mi no banco de Vorcaro
A Polícia Federal (PF) realizou nesta segunda-feira (10) uma operação com oito mandados de busca e apreensão contra o Instituto de Previdência dos Servidores Públicos de Maceió (IPREV/Maceió) por supostas irregularidades em um investimento no total de R$ 97 milhões em Letras Financeiras emitidas pelo Banco Master.
Os mandados foram expedidos pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). Os alvos foram oito pessoas físicas, a Iprev/Meceió e Crédito & Mercado de Valores Mobiliários Ltda.
A PF aponta que a governança do IPREV foi subvertida para favorecer o banco, aceitando propostas comerciais apresentadas pela própria instituição beneficiada, sem estudos comparativos independentes.
O aporte teria sido feito mediante duas operações: (i) R$ 80.000.000,00, em 6/12/2023, e (ii) R$ 17.000.000,00, em 13/5/2024.
O credenciamento do Banco Master foi considerado meramente formal, baseado apenas em materiais promocionais enviados pelo próprio emissor e sem qualquer diligência sobre sua solidez patrimonial ou riscos reputacionais.
A investigação também aponta como parte da negociação a Crédito & Mercado, consultoria de investimentos contratada para apoiar o IPREV. Segundo as investigações, ela participou ativamente da condução do credenciamento, da formação documental das operações e da elaboração/validação das análises financeiras que justificaram a compra dos títulos.
A autoridade policial sustenta que a atuação da consultoria representou uma “terceirização indevida da competência administrativa do IPREV“.
A Polícia Federal destaca que a Crédito & Mercado foi alvo da “Operação Rebote” em novembro de 2023, que investigou fraudes em outro regime de previdência municipal.
Além disso, Renan Foglia Calamia, apontado como dirigente e principal interlocutor técnico da consultoria, foi condenado em dezembro de 2025 por gestão temerária em fraudes cometidas contra o Instituto de Previdência de Santo Antônio de Posse/SP.
A polícia apura se, no caso de Maceió, ele repetiu o mesmo método ilícito, caracterizado pela emissão de pareceres de investimento padronizados, seleção dirigida de instituições financeiras, omissão de alertas prudenciais e eventual recebimento de remuneração paralela indevida.