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Política

Moraes autoriza ex-ministro de Bolsonaro a fazer curso superior em EAD

Paulo Sérgio Nogueira foi condenado pelo STF a 19 anos de prisão, em regime inicial fechado, por crimes relacionados à tentativa de ameça à democracia

Estadão Conteúdo

O ex-ministro da Defesa do governo Bolsonaro, general Paulo Sérgio Nogueira, durante a primeira sessão de julgamento da ação penal contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e outros sete réus pela tentativa de golpe de Estado que culminou nos atos golpistas em 8 de janeiro de 2023, no Supremo Tribunal Federal (STF), em Brasília, nesta terça-feira, 02 de setembro de 2025. O ministro Alexandre de Moraes, relator do caso, afirmou que o País só tem a lamentar que, mais uma vez, se tenha tentado um golpe de Estado no País, "atentando-se contra a democracia" visando a "instalação de uma verdadeira ditadura". 02/09/2025 - Foto: WILTON JUNIOR/ESTADÃO CONTEÚDO
Ex-ministro Paulo Sérgio Nogueira WILTON JUNIOR/ESTADÃO CONTEÚDO

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou o general da reserva Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira, ex-ministro da Defesa no governo de Jair Bolsonaro, a se matricular em um curso de ensino a distância (EAD) durante o cumprimento da pena. A decisão foi assinada na última quinta-feira (6) e divulgada nesta segunda-feira (10).

Paulo Sérgio, que tem 67 anos, foi condenado pelo STF a 19 anos de prisão, em regime inicial fechado, por crimes relacionados à tentativa de ruptura da ordem democrática após as eleições de 2022. Entre as condenações estão organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado.

O pedido apresentado pela defesa foi para que o general pudesse se matricular no curso “Liderança e Gestão de Pessoas na Área de Saúde”, oferecido pela Faculdade Anhanguera na modalidade EAD. Segundo a decisão, ele já havia cumprido 255 dias de pena até a análise do requerimento.

Ao autorizar a matrícula, Moraes citou as regras da Lei de Execução Penal que permitem a remição de parte da pena por meio do trabalho ou do estudo. O ministro também mencionou normas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) que reconhecem atividades educacionais não escolares, inclusive de caráter profissionalizante, como parte das possibilidades de educação no sistema prisional.

A decisão destaca ainda que a Faculdade Anhanguera de Brasília está habilitada pela Secretaria de Estado de Administração Penitenciária do Distrito Federal para oferecer cursos EAD a pessoas privadas de liberdade. Com isso, Moraes autorizou a matrícula de Paulo Sérgio no curso, condicionando a participação ao cumprimento das normas estabelecidas pelo Comando Militar do Planalto, onde o general está custodiado.

A autorização, portanto, permite que o ex-ministro da Defesa participe das atividades acadêmicas a distância enquanto permanece preso, observadas as regras da unidade responsável pela custódia.