Quem é José Roberto Arruda, ex-governador do DF que tenta o cargo 20 anos depois
O candidato ao governo do Distrito Federal José Roberto Arruda (PSD) nasceu em Itajubá, em Minas Gerais, em 1954 e é formado em Engenharia Elétrica. Aos 72 anos, o ex-governador do DF é divorciado desde 2023, quando formalizou a separação com a ex-deputada federal Flávia Arruda. Ele também é pai de sete filhos.
Ele construiu sua vida pública em Brasília, para onde se mudou ainda nos anos 1970. Iniciou a carreira técnica como servidor público, passando por cargos de chefia na Novacap, na Companhia Energética de Brasília (CEB) e na Secretaria de Obras.
Filiado ao PSD desde dezembro de 2025, Arruda é marcado por um estilo populista e carismático, fortemente focado na entrega de obras públicas e com grande penetração entre as classes populares do Distrito Federal, especialmente nas Regiões Administrativas (RAs).
Durante o governo de Joaquim Roriz nos anos 1990, Arruda se destacou como uma figura importante no cenário político. Em 1994, foi eleito senador pelo DF. Líder do governo Fernando Henrique Cardoso no Senado, renunciou ao mandato em 2001 para evitar a cassação após o escândalo da violação do painel de votação secreta no caso da cassação do ex-senador, Luiz Estevão.
Do governo à prisão
Deu a volta por cima nas urnas e elegeu-se deputado federal mais votado do DF em 2002. Já em 2006, foi eleito governador do DF ainda no primeiro turno. Sua gestão ficou conhecida por grandes intervenções urbanas (como o programa Caminhos do DF e obras de mobilidade).
O auge do seu mandato deu lugar à maior crise da política brasiliense com a eclosão da Operação Caixa de Pandora, que revelou o escândalo do “Mensalão do DEM” — esquema de propinas pagas a deputados e aliados. O episódio culminou na sua prisão preventiva em 2010 e na perda do cargo de governador, o que paralisou temporariamente sua carreira.
Mesmo longe do poder Executivo há anos, Arruda preserva uma base de apoio leal e expressiva no eleitorado do DF, figurando com destaque nas pesquisas para a disputa de 2026 ao Palácio do Buriti.
Pedido de impugnação
A Procuradoria Regional Eleitoral pediu ao Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF) a impugnação do registro de candidatura do ex-governador. O órgão argumenta que Arruda está inelegível com base na Lei da Ficha Limpa devido a condenações por improbidade administrativa em segunda instância, em razão dos desdobramentos da Operação Caixa de Pandora. O Ministério Público entende que os efeitos dessa inelegibilidade se estendem até 2030.
Defesa de Arruda afirma que ele preenche todos os requisitos legais e que os prazos de suspensão de seus direitos políticos já expiraram sob a vigência das alterações recentes na legislação eleitoral e na Lei de Improbidade Administrativa. Arruda sustenta que está apto para disputar o Governo do DF e que a contestação é parte do processo padrão esperado.
A decisão final caberá aos juízes do TRE-DF. Enquanto o processo tramita e aguarda o julgamento pelo colegiado – e eventuais recursos ao Tribunal Superior Eleitoral – TSE – Arruda segue podendo realizar atos normais de campanha.
Corrida eleitoral
A última pesquisa do Datafolha divulgada no dia 21 de agosto mostrou que Celina Leão, e o ex-chefe do Executivo da capital federal José Roberto Arruda (PSD) lideram as intenções de voto ao Palácio do Buriti. Ambos os candidatos estão empatados tecnicamente.
Segundo o levantamento, Celina registrou 30% das intenções de voto. Arruda tem 28%.
Na terceira colocação, está o ex-presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico (Iphan) Leandro Grass (PT) com 11%. A deputada distrital Paula Belmonte (PSDB) tem 4%. Já o ex-ministro Ricardo Cappelli (PSB) pontuou 3%.
De 18 a 21 de agosto, o Datafolha entrevistou 910 pessoas presencialmente em 28 regiões administrativas do Distrito Federal. A margem de erro é de três pontos percentuais, com taxa de confiança de 95%. A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em 15 de agosto com os números DF-07561/2026 e BR-02094/2026.
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