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Política

‘É o momento mais corrupto da história do Judiciário’, diz Dino ao criticar Fachin

Ministro deu a declaração durante sessão plenária no STF que decide se investiga ou não Alexandre de Moraes

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Ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF)
Ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF) WILTON JUNIOR/ESTADÃO CONTEÚDO/ESTADÃO CONTEÚDO

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), declarou nesta terça-feira (15) que o Brasil vive seu momento mais corrupto do Poder Judiciário.

Dino colocou a fala em momento em que critica o ministro Edson Fachin, presidente do STF, por ter assumido a relatoria da petição julgada nesta terça-feira.

Para Dino, quem deveria estar sendo o relator é André Mendonça, relator do caso Master no tribunal.

Em nenhum tribunal do país, não é só no Supremo, um presidente pode destituir um relator. (…) Aqui não é lugar de quem busca aplauso, popularidade. Aqui não é lugar para fazer biografia, mas para fazer justiça, com o devido processo legal.Flávio Dino

O plenário da Corte decide se abre ou não investigação contra o ministro Alexandre de Moraes, por trocas de mensagens com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

Dino continua argumentando que o processo deveria ser redistribuído na Corte, excluindo o presidente Fachin, e enviou um ofício para que o julgamento desta terça-feira seja colocado no dia 23, juntando todos os citados no caso Master.

Se nós aceitarmos a vocatória, presidente, nós estaremos abrindo uma avenida de autoritarismo, de despotismo, de tirania nos tribunais que ninguém vai controlar.Flávio Dino

Resposta de Fachin

Fachin se defendeu, afirmando que não tomou a relatoria, e sim que ela foi encaminhada pelo ministro André Mendonça.

O ministro Mendonça também se justificou, dizendo que a decisão não partiu da presidência e que entendeu que, por envolver um outro ministro, caberia ao presidente a relatoria da petição.

Entenda a votação

O plenário do Supremo Tribunal Federal está reunido nesta terça-feira para analisar se há elementos que justifiquem a abertura de uma investigação contra o ministro Alexandre de Moraes no caso Banco Master. A discussão é baseada em um relatório da Polícia Federal elaborado a partir de dados extraídos do celular de Daniel Vorcaro, ex-dono do banco, com mensagens e outros registros relacionados ao magistrado.

Fachin é o relator do caso e decidiu levar a questão ao plenário após assumir a condução do procedimento. A Procuradoria-Geral da República (PGR), por sua vez, questiona a forma como a investigação foi conduzida pelo ministro André Mendonça e pediu a anulação da decisão que levou à produção do relatório.

Na sessão desta terça-feira, os ministros discutem a legalidade da medida que permitiu aprofundar a análise do celular de Vorcaro, a validade das provas obtidas e o destino dos elementos relacionados a Moraes. Uma suposta decisão pela investigação não significa que o ministro seja considerado culpado, mas apenas permitiria o aprofundamento da apuração.

O que está em julgamento?

A sessão extraordinária será dedicada à apreciação da Petição 16.662. Fachin decidiu levar o debate ao Plenário depois de decisões conflitantes relacionadas ao caso do Banco Master.

No âmbito da petição, o relator anterior, o ministro André Mendonça, decidiu afastar o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, e o diretor de Inteligência, Leandro Almada, de seus cargos e restringiu a produção de novos relatórios pela corporação.

A medida foi suspensa pelo ministro Flávio Dino, que determinou a reintegração de Andrei e Almada. O magistrado é relator do processo sobre repasse de emendas parlamentares à produção de “Dark Horse”, filme que contará a história do ex-presidente Jair Bolsonaro.

No mesmo despacho em que convocou a sessão, Fachin suspendeu as determinações de Mendonça e Dino sobre o comando da PF e o andamento da Petição 16.662. No sábado (12), o presidente do STF assumiu a relatoria do processo.

Outro ponto que será analisado é a validade da solicitação feita por Mendonça à PF para a produção do relatório que revelou a troca de mensagens entre Moraes e Vorcaro. A PGR defende a nulidade tanto do pedido do ministro quanto do documento produzido pela corporação.

Segundo o órgão, Mendonça teria determinado investigação contra pessoas específicas sem solicitação do Ministério Público ou da PF. A PGR argumentou também que, ao encontrar possíveis indícios envolvendo Moraes, o ministro deveria ter encaminhado o material à Presidência do STF.

Caso o Plenário confirme a nulidade do relatório, o mérito das mensagens trocadas entre Moraes e Vorcaro não será analisado pelos ministros. No entanto, pode ser discutida a instauração de apuração sobre a conduta com base nos elementos reunidos pela PF na investigação do Banco Master.

O que diz o relatório da PF?

Em 1º de setembro, Mendonça retirou o sigilo do documento que apresentou as mensagens. O relatório diz também que o banqueiro tinha quatro registros diferentes de um mesmo número, que seria de Moraes.

O relatório da PF detalhou negociação de contrato entre o Banco Master e o escritório de advocacia Barci de Moraes, de Viviane Barci, esposa de Mores.

Em 11 de janeiro de 2024, Viviane enviou a Vorcaro uma minuta de prestação de serviços. A PF identificou que a última alteração havia sido feita pelo usuário identificado como “Ministro Alexandre de Moraes”, às 16h30 daquele dia.

Uma nova versão do documento foi posteriormente enviada a Vorcaro. O relatório indicou que o usuário “Ministro Alexandre de Moraes” foi responsável pela última modificação.

A investigação encontrou um segundo contrato, datado de 12 de maio de 2025, entre o escritório Barci de Moraes e a empresa Viking Participações sobre transferência e ativos. Entre os ativos estavam cotas relacionadas a um avião Legacy 650 e a um helicóptero EC 155 B1. Segundo a documentação analisada pela PF, a cota do avião custava US$ 5.512.951,89, enquanto a do helicóptero tinha valor de US$ 1.335.014,01.

O documento da PF também apresentou informações de supostos encontros de Moraes e Vorcaro. Em uma das mensagens de 30 de outubro, o banqueiro tratou com o ministro da necessidade de interlocução com autoridades diante do avanço das investigações. Em outros registros, o dono do Master perguntou sobre possíveis medidas judiciais e sobre a possibilidade de adiamento de ações contra ele.

A PF encontrou uma mensagem em que Vorcaro questionou: “médio a grave seria busca ou quebra de sigilo?”. Em seguida, perguntou: “Mas pedido deferido por parte deles? Algo que dê pra bloquear?”.

Em outro registro, de 15 de novembro, dois dias antes de sua primeira prisão, Vorcaro perguntou a Moraes: “Acha que segunda tenho que estar fora?”.

Crise institucional

Em resposta à medida de Mendonça, no âmbito do inquérito das chamadas fake news, Moraes determinou o envio de relatórios da PF a Fachin. Os documentos indicavam possíveis irregularidades na condução dos processos sobre o caso do Banco Master e dos descontos indevidos em benefícios de aposentados e pensionistas do Instituto do Seguro Social (INSS).

No despacho, Moraes afirmou haver “presença de fortes indícios da prática de improbidade administrativa, abuso de autoridade e crime de responsabilidade” na atuação de Mendonça. Também indicou possível quebra da imparcialidade judicial, favorecimento a determinados grupos políticos e interferência na condução das investigações.

A movimentação dos ministros resultou em uma crise institucional sem precedentes na história do STF. Fachin chegou a cancelar duas sessões plenárias seguidas.

Em tentativa para conter a tensão, o presidente da Corte retirou Moraes do inquérito das chamadas fake news e Mendonça, da Petição 16.662. Fachin também decidiu levar ao Plenário os questionamentos contra os ministros. Determinou ainda que fosse tornado público todo o material sobre o caso do Banco Master.

O sigilo dos documentos da investigação contra a instituição financeira resultou em uma “guerra” de ofícios entre os integrantes do STF. De quinta-feira (10) a segunda-feira (14), foram emitidos um total de 22 despachos referentes à divulgação do material.

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