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Ed Sheeran se envolve em polêmica após saída de Macklemore e vê artistas abandonarem sua turnê

Confusão começou após rapper defender a Palestina durante show nos Estados Unidos; decisão de retirá-lo da turnê provocou uma reação em cadeia e levou outros artistas a desistirem das apresentações

Victória Xavier

Ed Sheeran
Ed Sheeran Dia Dipasupil / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / Getty Images via AFP

A turnê de Ed Sheeran pelos Estados Unidos se transformou em palco de uma das maiores polêmicas musicais dos últimos dias. O que começou com um discurso de Macklemore em defesa da Palestina acabou provocando sua retirada da programação, críticas ao cantor britânico e, posteriormente, a saída de outros artistas que estavam escalados para abrir os shows.

A história começou no dia 4 de setembro, durante uma apresentação no MetLife Stadium, em Nova Jersey. Macklemore, que fazia parte da programação da Loop Tour, aproveitou seu espaço no palco para falar sobre a guerra entre Israel e Hamas e manifestar publicamente seu apoio aos palestinos.

Durante o show, o rapper afirmou que uma das razões pelas quais quis participar da turnê era justamente ter a oportunidade de subir em grandes estádios e dizer “Free Palestine”. Ele também apresentou “Hind’s Hall”, música de protesto lançada em 2024 em apoio à causa palestina.

No dia seguinte, Macklemore voltou a falar sobre o assunto durante outra apresentação. O artista afirmou que críticas ao governo de Israel e ao sionismo não deveriam ser confundidas com ódio contra judeus e declarou defender paz, amor e igualdade para todos.

As manifestações provocaram forte reação de grupos pró-Israel. Uma campanha chegou a pedir a retirada do rapper da turnê. A situação ganhou força quando alguns dos estádios que receberiam os próximos shows teriam sinalizado que não permitiriam as apresentações caso Macklemore continuasse na programação.

Macklemore é retirado da turnê

Em 14 de setembro, foi confirmado que Macklemore não participaria mais das datas restantes da turnê nos Estados Unidos.

O rapper estava escalado para oito dos dez shows restantes e afirmou que sua retirada aconteceu após pressão relacionada às suas manifestações políticas. Macklemore também citou o empresário e proprietário do New England Patriots, Robert Kraft, como uma das pessoas que teriam pressionado pela decisão.

Kraft, conhecido por seu apoio a Israel e por ações de combate ao antissemitismo, confirmou que se posicionou contra a participação do rapper.

Macklemore, por sua vez, rejeitou acusações de antissemitismo e argumentou que críticas às ações do governo israelense não devem ser automaticamente classificadas como preconceito contra judeus.

O rapper já havia se tornado uma figura bastante associada à causa palestina. Em 2024, lançou “Hind’s Hall”, música que ganhou grande repercussão justamente por seu posicionamento em relação à guerra em Gaza.

E onde entra Ed Sheeran?

A situação ficou ainda mais delicada porque Macklemore fazia parte da turnê de Ed Sheeran.

Inicialmente, a decisão de retirá-lo foi associada diretamente ao cantor britânico. Macklemore afirmou que os dois tiveram conversas difíceis durante a semana e chegou a questionar publicamente a postura mais neutra de Sheeran diante do conflito.

Ed Sheeran, entretanto, decidiu esclarecer a situação nesta terça-feira, 15 de setembro.

O cantor afirmou nas redes sociais que a retirada de Macklemore não foi uma decisão dele. Segundo Sheeran, a determinação partiu do promotor da turnê depois que os estádios envolvidos avisaram que poderiam cancelar os shows caso o rapper permanecesse no elenco.

Sheeran afirmou ainda que tentou conversar com os envolvidos e encontrar uma solução, mas que a decisão dos locais e do promotor acabou sendo definitiva.

O cantor também explicou que respeita a disposição de Macklemore de defender aquilo em que acredita, mas prefere não transformar seus próprios shows em espaços de manifestação política. Segundo Sheeran, ele busca fazer de suas apresentações um ambiente de união para pessoas de diferentes origens e opiniões.

Outros artistas abandonam a turnê

A retirada de Macklemore, porém, não encerrou a história. Pelo contrário.

Depois da decisão, outros artistas que participariam da turnê anunciaram que não fariam mais os shows.

Entre eles estão Finneas, irmão e colaborador de Billie Eilish, Lukas Graham, Aaron Rowe e a banda Beoga, que acompanha Sheeran.

Os artistas demonstraram solidariedade a Macklemore e criticaram a decisão de retirá-lo da programação. Finneas, por exemplo, defendeu que artistas deveriam ter liberdade para se manifestar sobre questões que consideram importantes.

Com isso, o que era inicialmente uma controvérsia envolvendo apenas um artista acabou se transformando em uma crise maior para a turnê de Sheeran, colocando no centro do debate temas como liberdade de expressão, posicionamento político de artistas, influência de grandes empresários e até os limites do que pode ser dito em um palco.

Por que o caso é tão polêmico?

A discussão ganhou diferentes lados.

Para grupos e pessoas que criticaram Macklemore, suas declarações ultrapassaram o limite de uma manifestação política e poderiam alimentar discursos considerados antissemitas. A acusação é rejeitada pelo rapper, que afirma diferenciar antissemitismo de críticas a Israel e ao sionismo.

Do outro lado, grupos pró-Palestina e artistas que deixaram a turnê interpretaram a retirada como uma forma de silenciamento de uma manifestação política.

Ed Sheeran ficou no meio desse conflito. O cantor afirma que não concorda com a retirada por ter sido uma decisão sua, porque, segundo ele, não foi. Ao mesmo tempo, deixa claro que escolhe manter suas apresentações afastadas de manifestações políticas.

A situação também levantou uma questão pouco comum nos grandes shows: até que ponto um artista principal consegue controlar quem se apresenta em sua própria turnê quando contratos, promotores e proprietários dos estádios estão envolvidos?

No caso de Macklemore, segundo a versão apresentada por Sheeran e pela promotora, a decisão acabou sendo determinada justamente por essa cadeia de interesses.

Por enquanto, a Loop Tour segue prevista nos Estados Unidos, mas a saída de Macklemore e dos demais artistas abriu uma nova crise em torno da turnê de um dos maiores astros da música pop mundial.

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