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Venezuela desbloqueia sites de notícias censurados há anos

A ONG de direitos digitais VE Sin Filtro verificou o acesso a 10 sites por meio de diversos provedores de internet

AFP

A vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, discursa durante uma coletiva de imprensa em Caracas, em 11 de agosto de 2025. Em 3 de janeiro de 2026, a Suprema Corte da Venezuela ordenou que a vice-presidente Delcy Rodríguez assumisse a liderança interina do país, após os Estados Unidos prenderem o presidente Nicolás Maduro e o retirarem do país.
Delcy Rodríguez, presidente interina da Venezuela Foto por JUAN BARRETO / AFP

Diversos sites de notícias que estavam censurados na Venezuela há anos foram desbloqueados, anunciou a agência reguladora de telecomunicações nesta quinta-feira (17), horas antes do início da segunda rodada de negociações políticas entre o governo interino e a oposição.

A liberdade de expressão será um dos temas abordados na mesa de diálogo, patrocinada pelos Estados Unidos, que será retomada nesta quinta-feira em Caracas após uma primeira rodada de negociações em agosto.

Oito meses após a intervenção dos EUA para capturar Nicolás Maduro, a Comissão Nacional de Telecomunicações (Conatel) anunciou em seu site o “restabelecimento formal do acesso a diversas plataformas e veículos de mídia digital nacionais e internacionais”.

O site de notícias NTN24 confirmou em seu site que, “após o anúncio do regime, na noite de quarta-feira, foi verificado na Venezuela, com diferentes provedores de internet, que o acesso ao www.ntn24.com era possível sem o uso de uma VPN”, uma conexão criptografada.

Os veículos de comunicação venezuelanos El Nacional, Efecto Cocuyo e El Pitazo também foram removidos da lista de censura.

A ONG de direitos digitais VE Sin Filtro verificou o acesso a 10 sites por meio de diversos provedores de internet. Ainda assim, relata pelo menos 194 sites bloqueados no país, incluindo 84 veículos de notícias.

Jornalistas e ONGs denunciam há anos o bloqueio de sites como um mecanismo de censura, o que sempre foi negado pelo governo Maduro, que enfrenta acusações de tráfico de drogas em um tribunal de Nova York.

A chefe da delegação da oposição, Dinorah Figuera, saudou a decisão. “Este é um primeiro passo. Muitos meios de comunicação ainda estão ausentes e todos precisam retornar, integralmente e em definitivo”, esclareceu.

A medida foi recomendada horas antes pelo Programa para a Paz e a Coexistência Democrática, uma organização não governamental criada pela presidente interina, Delcy Rodríguez, que governa sob pressão de Washington.

A proposta surgiu após “um processo de consulta com diferentes setores da mídia”, explicou o programa em suas redes sociais.

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