Operação Sanakay mira golpe de pirâmide financeira e busca recuperar R$ 500 mi
O Ministério Público de São Paulo deflagrou, na manhã desta terça-feira (29), a Operação SANAKAY, que tem como objetivo recuperar valores supostamente obtidos por meio de golpes de pirâmide financeira, estelionato, organização criminosa e lavagem de dinheiro. A ação é realizada pelo Grupo de Atuação Especial de Recuperação Patrimonial (GAEPP), em conjunto com a Polícia Civil, por meio do DOPE, e a Polícia Militar, pelo 1º Batalhão de Choque.
Segundo o Ministério Público, os investigados teriam se associado para simular investimentos em ouro, com a promessa de rendimentos elevados a partir da compra do minério e de sua posterior revenda no mercado internacional.
Ainda de acordo com a investigação, por fazerem parte de uma comunidade étnica, os integrantes do grupo conseguiram autorização interna para apresentar e comercializar cotas do suposto investimento entre os próprios membros da comunidade, descrita pelos investigadores como relativamente fechada e numerosa no país.
Muitas das vítimas teriam vendido bens pessoais de valor para conseguir aplicar dinheiro no esquema. A estimativa é de que mais de duas mil pessoas tenham sido atingidas ao longo dos anos em que o golpe teria funcionado.
A investigação aponta que, em vez de aplicar os recursos na compra e venda de ouro, os integrantes da organização teriam utilizado o dinheiro para adquirir bens de luxo e mantido parte dos valores aplicada para dar aparência de funcionamento ao negócio e atrair novos investidores.
Com o passar do tempo, os integrantes da comunidade que haviam realizado os investimentos perceberam que se tratava, segundo as investigações, de uma fraude e passaram a cobrar a devolução do dinheiro. Os valores, porém, não teriam sido ressarcidos.
O esquema teria movimentado aproximadamente R$ 500 milhões.
Sequestro de R$ 162 milhões
A pedido do GAEPP, o Juízo de Direito da Vara Estadual das Garantias de Organizações Criminosas e Lavagem de Bens, Direitos e Valores da Capital determinou, em 14 de agosto de 2026, pela segunda vez, o sequestro de bens e valores relacionados ao grupo.
Desta vez, a medida atingiu outros beneficiários finais dos recursos supostamente obtidos com os crimes, totalizando R$ 162 milhões em valores sujeitos a bloqueio e recuperação.
Nesta terça-feira, são cumpridos 13 mandados de busca e apreensão contra lideranças apontadas como integrantes do grupo, em endereços na capital paulista, em cidades da Grande São Paulo e no Rio de Janeiro.
Durante a operação, foi localizado e apreendido um helicóptero que pertenceria a um dos integrantes da organização. Trata-se de uma aeronave Robinson R66, avaliada em mais de R$ 10 milhões.
Os bens apreendidos nesta etapa se somam ao patrimônio já alcançado por decisões judiciais anteriores. Em abril de 2026, também a pedido do Ministério Público de São Paulo, foram atingidos bens vinculados a 137 pessoas físicas e 32 pessoas jurídicas investigadas.
Entre os bens já identificados estão 52 imóveis, além de veículos, valores mantidos em contas bancárias e aplicações financeiras.
A Operação SANAKAY busca, segundo o Ministério Público, localizar e recuperar o patrimônio que teria sido obtido com o esquema e garantir recursos para eventual ressarcimento das vítimas, conforme o andamento das investigações e das decisões
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