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Brasil começa primeiros testes de vacina contra hanseníase

Projeto da LEP Vax é financiado por uma entidade filantrópica dos EUA, que tem liderado o desenvolvimento do imunizante desde 2022, além de contar com apoio do Ministério da Saúde e de um fundo japonês

Luisa Cardoso

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) deu um passo significativo na luta contra a hanseníase ao autorizar o início dos testes de uma vacina inédita no Brasil. Batizada de LEP Vax, a vacina será testada no Instituto Osvaldo Cruz, em São Paulo, com o apoio do Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos, Manguinhos, da Fiocruz, que atuará como patrocinador. Este estudo inovador contará com a participação de 54 voluntários saudáveis, com idades entre 18 e 55 anos, que nunca tiveram a doença. O principal objetivo da pesquisa é avaliar a segurança e a imunogenicidade da vacina, além de investigar sua eficácia em duas formulações distintas, com doses baixa e alta de antígeno. Os voluntários serão organizados em três grupos distintos: dois grupos receberão a vacina, um com dose baixa e outro com dose alta, enquanto o terceiro grupo será administrado com um placebo. A vacinação será realizada em três aplicações, com intervalos de 28 dias entre cada uma. Após a conclusão do ciclo de vacinação, os participantes serão monitorados por um período de 421 dias para avaliar os resultados.

O projeto da LEP Vax é financiado por uma entidade filantrópica dos Estados Unidos, que tem liderado o desenvolvimento da vacina desde 2022, além de contar com apoio financeiro do Ministério da Saúde e de um fundo japonês. Caso os resultados dos testes sejam positivos, a vacina poderá ser incorporada ao calendário nacional de imunizações, representando um avanço significativo no combate à hanseníase. Testes pré-clínicos realizados em camundongos já demonstraram uma redução significativa na taxa de infecção, sem registro de efeitos adversos graves, e evidenciaram a capacidade da vacina de estimular uma resposta imunológica eficaz. A hanseníase é uma doença que afeta principalmente populações vulneráveis, com 200 mil novos casos anuais em 120 países, de acordo com a Organização Mundial da Saúde.

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O Brasil ocupa a segunda posição em número de casos, atrás apenas da Índia, com quase 245 mil novas infecções registradas entre 2014 e 2023. A hanseníase pode causar lesões graves na pele e nos nervos, mas é uma doença curável com tratamento disponível no Sistema Único de Saúde. No entanto, muitos casos são diagnosticados tardiamente, resultando em danos que comprometem a qualidade de vida e a capacidade de trabalho dos pacientes.

Publicado por Luisa Cardoso
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