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Moraes determina retorno de ex-assessor de Bolsonaro a presídio comum

Filipe Martins havia sido transferido da Cadeia Pública de Ponta Grossa, no Paraná, sob a justificativa de ser 'preso político', algo que representava 'risco de convívio com população carcerária'

Júlia Mano

Filipe G. Martins fala ao microfone no estúdio do programa Pânico
image (22) (1) Reprodução/Pânico

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta terça-feira (3) o retorno de Filipe Martins, assessor no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, à Cadeia Pública de Ponta Grossa, no Paraná. Ele havia sido transferido da unidade prisional sob a justificativa de ser  “preso político”, o que representava “risco de convívio com a população carcerária comum”.

Procurada pela Jovem Pan, a defesa de Filipe Martins não retornou ao contato. O espaço segue aberto.

Na decisão, Moraes afirmou que a transferência de Martins ocorreu “sem a prévia autorização” do STF. Algo que, segundo o ministro, “configura indevida mitigação da competência do juízo” e “compromete o regular acompanhamento da execução penal”.

Moraes ainda ordenou que a Cadeia Pública de Ponta Grossa informe o Supremo em até 24 horas sobre o retorno de Martins à unidade prisional.

Em 2 de janeiro, o ministro decidiu converter a prisão domiciliar de Filipe Martins em preventiva. Segundo Moraes, o ex-assessor usou a rede social LinkedIn para pesquisar perfis de terceiros.

Antes da prisão domiciliar, Filipe Martins cumpria apenas medidas cautelares. Moraes decidiu alterar a condição do ex-assessor depois de Silvinei Vasques, ex-diretor da Polícia Rodoviária Federal (PRF), fugir do Brasil.

Condenação

Em dezembro, Filipe Martins foi condenado a 21 anos de prisão por crimes relacionados à trama golpista. Durante os julgamentos da tentativa de golpe de Estado na Primeira Turma do STF, o ex-assessor-especial para assuntos internacionais da Presidência da República integrou o chamado “núcleo 2”, mesmo grupo de Silvinei Vasques.

De acordo com a ação penal, os seis réus teriam elaborado a “minuta do golpe”, que consistia em um plano para assassinar o chefe do Executivo, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e o próprio ministro Alexandre de Moraes. Eles também foram acusados de articular ação no Nordeste para tentar impedir o voto de eleitores da região nas eleições de 2022.

Em delação premiada, o tenente-coronel Mauro Cid disse que Filipe Martins foi responsável por apresentar a “minuta do golpe” a Bolsonaro. O documento determinava a convocação de novas eleições e a prisão de adversários do capitão da reserva.

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