Secretário-geral da ONU diz estar ‘chocado’ com ‘deturpações’ de fala sobre atuação do Hamas no conflito no Oriente Médio
O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Antonio Guterres, afirmou nesta quarta-feira, 25, que está “chocado” com o que classificou como interpretação equivocada de suas declarações sobre o grupo islamista palestino Hamas, que irritaram Israel. “Estou chocado com as deturpações de algumas das minhas declarações de ontem no Conselho de Segurança, como se estivesse justificando atos de terrorismo do Hamas”, disse Guterres à imprensa. A declaração vem após duras críticas recebidas pelo secretário, principalmente de Israel. O ministro das Relações Exteriores israelense chegou ao ponto de pedir a renúncia de Guterres após ele afirmar que os ataques do Hamas em 7 de outubro “não surgem do nada, mas de 56 anos de ocupação sufocante”. Em pronunciamento sem direito a perguntas na entrada do Conselho de Segurança nesta quarta-feira, Guterres lembrou que nas suas declarações de ontem “condenou inequivocamente os horríveis e sem precedentes atos de terror do Hamas em Israel” e que “nada pode justificar o assassinato, o rapto de civis ou o lançamento de foguetes contra alvos civis”. Embora mais uma vez tenha recordado “as queixas do povo palestino”, acrescentou imediatamente que “elas não podem justificar os ataques atrozes do Hamas”.
Guterres não se retratou pelas palavras proferidas, mas insistiu que se tratava de “deixar as coisas claras, por respeito às vítimas e às suas famílias”. A breve declaração lida nesta quarta-feira, 25, não menciona o pedido de renúncia feito por Israel, nem as críticas de outros aliados de Israel, como o Reino Unido, que pediu a Guterres que “se retratasse” das suas palavras, segundo disse o secretário britânico da Imigração, Robert Jenrick. Mais cedo, o embaixador israelense na ONU, Gilad Erdan, afirmou que Israel negará vistos a representantes das Nações Unidas, e explicou que o país já começou a aplicar esta política, negando especificamente um visto ao subsecretário-geral da ONU para Assuntos Humanitários, Martin Griffiths. “É hora de dar uma lição” aos funcionários da ONU, disse Erdan hoje em entrevista à emissora de rádio do Exército israelense.
*Com informações da agência EFE
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