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Se dentro do governo o discurso do presidente do Jair Bolsonaro (sem partido) foi comemorado pelo tom moderado deixando claro o posicionamento da gestão frente às questões importantes para o país, no Congresso Nacional as críticas foram muitas. O relator da CPI da Covid-19, o senador Renan Calheiros (MDB-AL), por exemplo, lamentou que o chefe do Executivo tenha defendido o tratamento precoce contra o novo coronavírus. “Mais um triste espetáculo. O presidente mentiu. A palavra é essa mesmo. Mentiu do começo ao fim do seu discurso. Mentiu vergonhosamente. Parece que ele estava falando de outro país, que não era esse velho Brasil com as contradições que todos nós conhecemos”.
Em nota, o Conselho Federal de Medicina relembrou que o médico tem autonomia na prescrição de medicamentos, desde que em comum acordo com o paciente, o que fortalece o discurso do senador Marcos Rogério (DEM-RO), que saiu em defesa do presidente da República, o que gerou polêmica na CPI. “Parece que não ouviu o discurso do presidente. Vossa excelência ouve uma coisa e diz outra. O presidente defendeu a autonomia do médico para adotar as medidas que achar necessárias. Vossa excelência parece que estava ouvindo outro presidente”, disse durante sessão do colegiado.
O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), vice-presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), rebateu as afirmações feitas por Bolsonaro de que o governo teria repassado 800 dólares a título de Auxílio Emergencial. Segundo Randolfe, com um dólar a R$ 5,32, os beneficiários deveriam ter recebido cerca de R$ 4.256 cada. O governo justifica, no entanto, que esse valor não é mensal, mas o valor anual médio recebido pelos beneficiários. Já o senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE) disse que Bolsonaro conseguiu realizar “um feito extraordinário: levar o cercadinho à Assembleia-Geral da ONU. Ignorou o Brasil real e falou sobre o país imaginário que flutua na bolha de desinformação nas redes sociais”. Segundo o senador, isso é motivo de vergonha mundial.
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Para Rodrigo Pacheco (DEM-MG), presidente do Senado, Jair Bolsonaro apenas fez um balanço das ações do governo nos últimos anos. “Obviamente há posições do presidente que eu não concordo, eu discordo, mas são convicções dele, já conhecidas de todos. Portanto, não há grande surpresa em relação à fala do presidente, que é aquilo que ele normalmente prega. Destaco pontos positivos, outros pontos que, repito, com os quais eu não concordo, mas que nós devemos respeitar. Essa cultura do respeito entre os Poderes nós precisamos ter, até porque nós somos livres para nos manifestarmos de acordo com a nossa consciência”. Por sua vez, o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), também avaliou que o discurso de Bolsonaro não surpreendeu.
“Falou de temas específicos, mas fez lá a visão e o detalhamento do Brasil, dos aspectos de infraestrutura, meio ambiente, combate à pandemia e outras questões, mas de uma maneira que só ele pode avaliar. Não há nada de novo no discurso do presidente”, disse. Nos Estados Unidos, a imprensa não poupou críticas ao presidente e o pronunciamento foi classificado como constrangedor. Houve críticas à defesa de medicamentos considerados ineficazes para o tratamento da Covid-19 e da exigência do passaporte de vacinação, já me vigor em vários países do mundo, mas rejeitado pelo presidente brasileiro, que voltou a defender o dinheiro da pessoa se quer a vacinação. Depois de ter problemas com manifestantes, o presidente Jair Bolsonaro se encontrou com um grupo de apoiadores na saída do hotel.