Maior líder indígena do Brasil é internado com depressão após morte da mulher
Maior liderança indígena do Brasil, cacique Raoni está internado em Mato Grosso após um agravamento do seu quadro de saúde. No mês passado, o líder da etnia caiapó perdeu a mulher, Bekwyjkà Metuktire, e, desde então, tem apresentado um quadro depressivo. Indicado ao prêmio Nobel da Paz em 2019, Raoni estava internado em um hospital de Colíder (MT), mas foi transferido para Sinop (MT), depois de seu estado de saúde piorar. Segundo o boletim médico, divulgado neste sábado, 18, Raoni está acordado, mas se alimenta com dificuldade e se queixa de fraqueza. A piora do seu quadro é devido ao agravamento de uma anemia e problemas renais. “Raoni foi transferido para Sinop (MT), onde vai fazer novos exames. Estou muito preocupado com meu tio. Vamos fazer tudo para ele ficar bom”, disse o intérprete e sobrinho de Raoni, Megaron Txucarramãe.
Em setembro do ano passado, Raoni esteve em Brasília, onde se reuniu com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), para falar sobre direitos aos povos indígenas. Um dia antes dessa visita, o presidente da República, Jair Bolsonaro, havia feito críticas diretas ao cacique. “Acabou o monopólio do senhor Raoni”, disse, ao citar Ysani Kalapalo, liderança indígena que viajou com Bolsonaro aos Estados Unidos.
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Em junho do ano passado, Raoni fez críticas duras à forma como o governo Bolsonaro tem conduzido as políticas indigenistas e disse que seu povo corre o risco de desaparecer, se nada for feito. “Queremos dialogar com o governo, mostrar a ele que nós, indígenas, não aceitamos o que Bolsonaro pensa sobre nós, não aceitamos a violação dos direitos indígenas e dos territórios indígenas. Essa gestão é contra o povo indígena”, disse.
O cacique tentou se reunir com Bolsonaro para levar ao presidente o pleito da comunidade indígena, mas teve seu pedido de encontro negado pelo presidente. “Os povos indígenas estão preocupados. Acreditam que Bolsonaro pode acabar com nosso povo. Queremos falar, mostrar para o governo essa pressão que sofremos de madeireiros e garimpeiros. Precisam respeitar nossos direitos”.
Ícone da luta dos indígenas brasileiros, Raoni ganhou notoriedade internacional no fim da década de 1980. Em 1987, o músico britânico Sting iniciou uma série de viagens pela Amazônia, onde conheceu o cacique, em 1989. A amizade com o líder da tribo dos caiapós levou Sting a se engajar na causa ecológica e na luta pela demarcação das terras indígenas no Xingu. A parceria levou à criação da Rainforest Foundation, entidade que atua na proteção da floresta e de seus povos tradicionais.
*Com informações do Estadão Conteúdo
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