Mourão afirma que disputa interna nos EUA fez Bolsonaro cancelar viagem a Nova York
O vice-presidente Hamilton Mourão atribuiu à disputa política interna dos Estados Unidos o motivo do cancelamento da viagem do presidente Jair Bolsonaro a Nova York, onde seria homenageado no próximo dia 14 pela Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos.
Bolsonaro, que seria agraciado com o prêmio “Personalidade do Ano”, vinha recebendo críticas de políticos americanos, principalmente do prefeito de Nova York, Bill de Blasio, e do senador Brad Hoylman, ambos democratas. Os dois comemoraram a desistência do brasileiro.
Na versão de Mourão, a decisão de Bolsonaro não teve relação com o cancelamento de patrocinadores do evento em Nova York. Desde que teve seu nome confirmado como homenageado, Bolsonaro foi alvo de uma série de resistências.
O Museu de História Nacional, onde inicialmente seria a cerimônia, se recusou a sediar a premiação. Empresas como a companhia aérea Delta, a consultoria Bain & Company e o jornal Financial Times retiraram seus patrocínios ao evento.
“A realidade é que o presidente se sente incomodado pela atitude do prefeito de Nova York, que nada mais é do que uma disputa interna nos Estados Unidos”, disse Mourão após participar da Festa Nacional da Cavalaria do Rio Grande do Sul, no município de Tramandaí. “O prefeito é democrata, o presidente Donald Trump é republicano e o presidente Jair Bolsonaro julgou por bem não se meter em algo que é uma disputa de outro país”, afirmou o vice.
O prefeito @BilldeBlasio surpreende quem tem Nova York como a cidade que universalmente acolhe pessoas de todas as origens, culturas, crenças e opiniões. Ufano, ataca @jairbolsonaro sem conhecê-lo e ofende todo o Brasil, que é representado, democraticamente, por seu Presidente.
— General Hamilton Mourão (@GeneralMourao) May 5, 2019
Após o governo anunciar o cancelamento da viagem de Bolsonaro, o prefeito e o senador dos EUA comemoraram, por meio do Twitter. “Jair Bolsonaro aprendeu do jeito difícil que nova-iorquinos não fecham os olhos para a opressão. Ele correu. Não fiquei surpreso – valentões geralmente não aguentam um soco. Seu ódio não é bem-vindo aqui”, escreveu Bill de Blasio.
O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), reagiu: “O prefeito de NYC critica a intolerância de Jair Bolsonaro, mas age da mesma forma. Discordo em muitas coisas do presidente Bolsonaro na agenda de valores mas não há saída para os nossos desafios sem diálogo e respeito”, escreveu Maia, também no Twitter.
O senador Brad Hoylman chamou de “vitória” o cancelamento da viagem presidencial. “Enfrentamos o presidente homofóbico do Brasil Jair Bolsonaro e vencemos. De acordo com as notícias brasileiras, ele se retirou do evento no Marriott Marquis e cancelou sua viagem aos EUA. O ódio não tem casa em Nova York.”
Por meio do porta-voz Otávio do Rêgo Barros, o presidente justificou a desistência em razão dos “ataques deliberados” de Bill de Blasio e pelo que chamou de “ideologização da atividade”.
*Com Estadão Conteúdo
Assuntos
continue lendo
Política
Perícia recusou ao menos 15 aparelhos de operação sobre ‘Dark Horse’ por falha no lacre
Equipamentos tinham selo intacto, mas perícia identificou vão que permitiria conexão USB
- Chuvas deixam ao menos 8 mortos e 1 desaparecido na Grande São Paulo Agência Brasil · há 9 horas
- Mega-Sena: ninguém acerta as seis dezenas e prêmio acumula para R$ 95 milhões Agência Brasil · há 11 horas
- Mendonça autorizou bloqueio de R$ 2 bilhões em bens ligados a Vorcaro Estadão Conteúdo · há 14 horas
- Mega-Sena sorteia prêmio acumulado de R$ 85 milhões neste domingo Agência Brasil · há 20 horas