Raquel recorre de decisão de Barroso de arquivar caso Favreto, desembargador que soltou lula
A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, recorreu do arquivamento feito pelo ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), no caso do desembargador Rogério Favreto – investigado por supostamente ter prevaricado quando mandou soltar o ex-presidente Lula em julho do ano passado.
Segundo a investigação, a decisão de soltar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva estaria fora da jurisdição de Favreto, que estava de plantão quando assinou o documento. O desembargador não teria competência para tal decisão.
A medida de Favreto acabou frustrada pelo então juiz Sérgio Moro e pelo desembargador Gebran Neto, relator da Lava Jato no TRF-4, que não permitiram que o petista fosse solto.
No Supremo, acolhendo pedido da defesa de Favreto, o ministro Barroso arquivou o inquérito, entendendo que o desembargador agiu “nos limites de suas atribuições”. Além disso, o Conselho Nacional de Justiça havia arquivado procedimento administrativo sobre o mesmo fato.
Raquel defende a manutenção das investigações e reforça que a função do STF é proteger a Constituição e, consequentemente, preservar o sistema acusatório fixado.
“Trata-se de uma garantia de todos os cidadãos. Uma legítima escolha do constituinte originário, e subvertê-lo traz consequências graves. O momento histórico exige responsabilidade de todas as instituições”.
Segundo a PGR, por meio de nota, o “entendimento é de que o trancamento de ofício de inquérito pelo Poder Judiciário somente pode ocorrer em hipóteses excepcionais, que representem evidente constrangimento ilegal”.
Para Raquel, “é sob o risco de misturar ou confundir funções de acusar e de julgar, de subverter a ordem do sistema acusatório, que não cabe aos magistrados analisar o mérito de investigação ou avaliar se as diligências requeridas pelo Ministério Público são eficazes ou não, viáveis ou não”.
“Justamente por isso, o Código de Processo Penal (CPP) e a legislação preveem que o arquivamento de inquérito policial pelos órgãos do Poder Judiciário depende de prévio pedido do Ministério Público”, defende a procuradora-geral, ao citar julgamentos do Supremo que seguiram o mesmo entendimento.
A PGR cita a jurisprudência ao chamar atenção para o fato de que o Supremo já reconheceu a independência entre as esferas penal e administrativa. Somente há repercussão da primeira na segunda – e não o contrário, “como inovou a decisão”.
*Com Estadão Conteúdo
Assuntos
continue lendo
Política
Kátia Abreu reforça crítica à Janja: ‘Quer aparecer ou eleger o marido?’
Ex-senadora defende maior participação do vice Geraldo Alckmin e diz que foco deve ser ampliar votos do presidente na reta final das eleições
- Incêndio na UFPE causa prejuízo de R$ 100 milhões, estima reitor; PF investiga Jovem Pan* · há 4 horas
- Serial killer em SP? O que se sabe sobre as mortes com sinais de execução Jovem Pan* · há 6 horas
- Mais de 3,5 mil pessoas já perderam o emprego após proibição das bets legalizadas Jovem Pan · há 7 horas
- Incêndio atinge prédio de pesquisa da UFPE; veja vídeo Jovem Pan · há 16 horas